quinta-feira, 18 de julho de 2019

RESPONSABILIDADE SOCIAL >> IFRN realiza chamada pública para captação de recursos para Secitex 2019

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👉🏻 Empresas públicas e privadas podem se inscrever até o dia 13 de agosto
📌 A Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento Institucional do IFRN (Prodes) publicou na sexta (12) o Edital 1/2019, referente à captação de recursos para a realização da V Semana de Ciência, Tecnologia e Extensão (Secitex).
📑 Empresas públicas e privadas podem se inscrever, no período de 12 de julho a 13 de agosto de 2019, a fim de patrocinar o evento. As inscrições devem ser realizadas de forma digital, através do envio dos documentos solicitados pelo Edital para o email: patrocinio.secitex@ifrn.edu.br.
📌 São estipuladas 8 cotas de patrocínio. Cada uma delas dá o direito de as empresas terem suas marcas vinculadas a espaços e materiais de divulgação do evento conforme o Anexo II - Plano de divulgação. O patrocínio deve ser através da entrega dos itens e serviços estipulados no Anexo III - Descrição das cotas, sendo proibido ao IFRN receber recursos da empresa patrocinadora.
📌 A SECITEX
A Semana de Ciência, Tecnologia e Extensão (Secitex) é o maior evento científico e cultural do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). A edição deste ano acontece de 16 a 18 de outubro na Estação de Artes de Mossoró, com organização do Campus Mossoró.

📌 O evento é formado por outros sete: Congic, Mostra Tecnológica, Prêmio de Empreendedorismo Inovador, Simpósio de Extensão, Olimpíada de Robótica, Mostra Coletiva de Arte e Aprender.
📌 Nos primeiros quatro anos, a Secitex soma cerca de 15 mil participantes inscritos e mais de 4 mil projetos de ciência, tecnologia, cultura e empreendedorismo recebidos.
👏🏻 Neste ano, a previsão é que o evento ultrapasse os 15 mil no número de visitantes, uma vez que serão 3 dias de programação aberta ao público, no maior espaço de realização de eventos de Mossoró, segunda maior cidade do estado.
 O tema do evento deste ano é “Bioeconomia, diversidade e riqueza para o desenvolvimento sustentável”, o mesmo da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.
ACESSE:
SECITEX 2019
EDITAL
ANEXOS

COMUNICADO A POPULAÇÃO >> Posto Planalto emite nota após ter sido alvo de bandidos durante a madrugada de ontem

EDUCAÇÃO PÚBLICA >> A hora é de lutarmos contra o desmonte proposto por esse governo federal

PICARETA PROFISSIONAL >> Desmoralizado no RN, Rogério Marinho pode tentar carreira política em São Paulo

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O ex-deputado federal Rogério Marinho (PSDB) estuda mudar o domicilio eleitoral para São Paulo, segundo o jornalista do jornal O Globo Lauro Jardim.
O relator da reforma trabalhista deve tentar se eleger a algum cargo político pelo Estado governado pelos tucanos há mais de 20 anos.
Marinho foi desmoralizado pelos eleitores do Rio Grande do Norte, nas eleições 2018, ao ficar apenas na 12ª colocação entre os candidatos a deputado federal. O detalhe é que, em valores declarados na Justiça Eleitoral, o tucano foi o segundo candidato que mais gastou dinheiro pra tentar se reeleger – R$ 1,8 milhão, contra R$ 2,2 milhões declarados ao TSE pelo campanha do deputado federal eleito João Maia (PR).
Em entrevistas logo após a humilhante derrota eleitoral, Marinho debitou o fracasso na conta da reforma trabalhista. No início do ano, ele foi nomeado como secretaria especial do Trabalho e da Previdência Social, o que demonstra que o governo Bolsonaro está na contramão dos eleitores.
Não bastasse a derrota nas urnas, caso a mudança de domicílio seja concretizada, São Paulo ganhará mais um tucano com problemas na Justiça a serem resolvidos.
Rogério Marinho responde a quatro inquéritos no Supremo Tribunal Federal e na Justiça do Rio Grande do Norte, além de aguardar decisão do STF sobre a quinta denúncia já apresentada pelo Ministério Público.
Confira nota divulgada por Lauro Jardim:
Rogério Marinho busca uma saída para mitigar as consequências do nascimento da filha que ajudou a gestar: a reforma da Previdência.
Marinho estuda mudar seu título de eleitor para São Paulo, onde há mais chances de capitalizar em votos seu papel à frente das negociações para a aprovação da reforma.
No Rio Grande do Norte, estado pelo qual foi deputado federal e já não foi reeleito em 2018, o selo de entusiasta das mudanças na Previdência tende a tirar-lhe eleitores em 2022.

Como a restauração na Caatinga pode se tornar um bom negócio para produtores e comunidades

Produção de palma na Caatinga. Espécie para alimentação dos animais, a palma pode ser usada em Sistemas Agroflorestais com árvores frutíferas (Foto: Bruno Calixto/WRI Brasil)

A paisagem do semiárido nordestino estava verde no final de 2018 em Pintadas, no interior da Bahia. A cidade – e toda a Bacia do rio Jacuípe – é hoje um polo de experiências sociais com grande potencial de se tornar um importante centro de restauração na Caatinga. O WRI Brasil já contou essa história: ela mostra como a liderança feminina criou demanda para produtos da restauração por meio de uma fábrica, a Delícias do Jacuípe, e como o conhecimento tradicional dos produtores rurais ajuda a adaptar às mudanças do clima. Mas o verde da paisagem de Pintadas engana quem não conhece a realidade local. “Hoje tudo está verde. Mas não é que está confortável. Não tem água para o gado, por exemplo. É uma seca verde, resultado das mudanças climáticas”, diz a produtora rural Nereide Segala Coelho, uma das fundadoras da cooperativa Ser do Sertão.
Nereide e outras lideranças da cooperativa e da fábrica estavam reunidas em um projeto, articulado com o apoio do WRI Brasil, para realizar uma pesquisa entre os produtores da região para encontrar uma forma de desenvolver a economia local e ao mesmo tempo adaptar o meio rural aos impactos de um clima mais extremo.
Nessa reunião em dezembro, um grupo de líderes mulheres engajadas pela cooperativa apresentou os resultados preliminares de uma pesquisa de campo. Elas perguntaram a mais de 500 produtores rurais sobre as árvores nativas mais comuns em suas propriedades, as motivações para que se engajem em restauração florestal e as necessidades relacionadas à produção no campo, como assistência técnica.
<p>Nereide Coelho</p>
A produtora rural Nereide Segala Coelho, uma das fundadoras da cooperativa Ser do Sertão (Foto: Bruno Calixto/WRI Brasil)
Os dados ainda serão compilados, mas as primeiras impressões já mostram um caminho para que a restauração na Caatinga crie corpo: é preciso criar um mercado de produtos nativos. “Os produtores nunca tiveram o hábito de colher frutas para a venda. Estamos começando um processo novo, mostrando que o produto que ele tem vai ajudar na renda. A realidade vai mudando”, diz Valdirene dos Santos Oliveira, atual presidente da cooperativa.

Restauração como um negócio

A criação da demanda por produtos foi uma estratégia pensada pelas lideranças da cooperativa para promover a restauração. A fábrica Delícias do Jacuípe é o elemento central: fornece polpa de frutas para suco para escolas, mercados e feiras. Para comercializar a polpa, a fábrica compra dos produtores frutas nativas que antes eram desperdiçadas, como umbu, maracujá da Caatinga e cajá-umbu. Tendo a fábrica para vender as frutas, os produtores estão começando a plantar árvores frutíferas. Todo mundo ganha. As famílias rurais podem complementar sua renda e, por outro lado, a restauração por meio da introdução das espécies arbóreas nativas nos sistemas produtivos pode melhorar a qualidade do solo e aumentar a resiliência das propriedade frente às mudanças climáticas.
Para essa cadeia funcionar bem, é preciso buscar profissionalização. Por isso, as lideranças da cooperativa passaram por diversos treinamentos e capacitações de gerenciamento de negócios. Estudaram análise de fluxo de caixa, entendimento de custos, investimentos e perdas. A ideia é criar uma cultura de melhor uso das informações. Além disso, estão fazendo prospecção de mercado, visitando restaurantes e potenciais compradores das polpas de frutas em outros municípios. Buscar novos consumidores é um primeiro passo para estabelecer um mercado produtivo e sustentável.
<p>Fábrica Delícias do Jacuípe</p>
Trabalhadoras da fábrica Delícias do Jacuípe selecionam o tamarindo no primeiro processo para transformar a fruta em polpa para suco (Foto: Bruno Calixto/WRI Brasil)

Profissionalização da mulher no meio rural

O sucesso da fábrica permite que a restauração se espalhe por toda a cadeia. Ela chega em uma das pontas – os consumidores que passam a conhecer o gosto das frutas da Caatinga, por meio de sucos – e na outra ponta encontra os produtores e produtoras rurais, que passam a valorizar o plantio de árvores e a colheita de frutas para atender a demanda da fábrica.
Esse processo ainda gera um resultado social importante: a possibilidade de promover economia rural baseada na resiliência climática. Além disso, essa mudança de cultura estimula que as decisões sobre a produção sejam compartilhadas entre os integrantes das famílias rurais, aumentando a participação feminina na economia local. “O profissionalismo da produção passa pelo envolvimento das mulheres no gerenciamento da propriedade”, diz Norma Rios, diretora da cooperativa.
Com a propriedade produzindo e vendendo, e com árvores fortalecendo o solo e o ambiente, os produtores rurais poderão se preparar para os impactos da mudança climática – e ainda lucrar com a venda de frutas.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

EM LAJES >> Hoje é dia de Feira da Agricultura Familiar!

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BONS EXEMPLOS A SEREM SEGUIDOS >> Projeto de associação caicoense fica entre os 50 melhores do Brasil

O Projeto “Construindo a Rede Recicla Seridó”, da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Caicó (ASCAMARCA), foi classificado em 23º lugar entre 50 concorrentes de todo o Brasil.
O projeto concorreu numa disputa por incentivos, realizada pelo Movimento Bem Maior. Com a classificação, o projeto da ASCAMARCA se habilita para receber os incentivos do Movimento Bem Maior. A ASCAMARCA, que desenvolve o projeto “Construindo a Rede Recicla Seridó”, é formada por catadores de materiais recicláveis de Caicó.

COMEMORAÇÃO >> Dia de Proteção às Florestas é celebrado no Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte


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DO BLOG: E nossas florestas nunca precisarão tanto como agora de proteção, uma vez que a ameaça de desmatamento descontrolado, vem do próprio governo.
Segue abaixo matéria:
O dia 17 de julho foi instituído no Brasil como Dia de Proteção às Florestas. Em comemoração à data, o Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte irá realizar uma série de atividades no recém-inaugurado Centro de Pesquisas e Experimentos da Mata Atlântica (CEPEMA), a partir das 8:30h. 
Na programação estão previstas as seguintes atividades: Exposição “Reserva Biológica do Atol das Rocas e Parque das Dunas: Unidades de Conservação de Proteção Integral”, espetáculo de mamulengo da Semurb e, dando continuidade ao projeto de recuperação de áreas degradadas do parque, teremos o plantio de mudas de espécies da Mata Atlântica. Além das exposições fixas do espaço: Conhecendo a Fauna e a Flora do Parque e Circuito ambiental de Natal.
Originalmente, o dia 17 de julho é o dia do Curupira. Figura mitológica do folclore brasileiro, o ser de cabelos vermelhos e pés virados para trás vive nas matas e é um dos maiores protetores das florestas. Diz-se que ele prega peças em qualquer um que adentre as florestas com intenção de destruí-la ou caçar seus animais.
O Brasil é um dos países com maior biodiversidade do mundo e as suas florestas são um dos motivos disso. São milhares as espécies de plantas e animais exclusivas do nosso território, desempenhando funções regulatórias que levam naturalmente a um equilíbrio ambiental. Além disso, diversos serviços ecossistêmicos estão intimamente relacionados às florestas: disponibilização de oxigênio, águas e ar limpos, solos férteis para plantio, polinização e até atividades recreativas. Entretanto, ainda assim, esses ambientes sofrem constantes ameaças e contínua degradação.
Para além do folclore, a data é mais uma oportunidade de aproximação entre o Parque da Cidade, uma Unidade de Conservação essencial para a proteção de nossos resquícios de Mata Atlântica, e a população. As atividades serão realizadas em conjunto com escolas municipais e abertas à população. Outras informações poderão ser obtidas por meio do telefone 3232-3207.

O COISO CONTRA A EDUCAÇÃO PÚBLICA >> Mediante tudo isso ainda vejo uma grande parte de nossos estudantes e professores acomodados!

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O governo Bolsonaro lançará nos próximos dias um pacote de privatização do Ensino Superior Público que pode comprometer seriamente a Educação gratuita e a autonomia das universidades. 
Denominado "Futuro-se", o plano do governo pretende transformar a Educação em uma mercadoria e atrelar as instituições de ensino à lógica de produtividade, pelo viés das relações comerciais. 

Antes de efetivar o pacote de maldades, o governo deve abrir um período de consultas públicas. Por isso, precisamos estar atentos e reagir contra mais esse retrocesso.

Por ADUnB

RESULTADO DA LUTA >> Aldeia da Amazônia ganha ação judicial contra gigante do petróleo


A Floresta Amazônica é conhecida e reverenciada como a maior e mais densa floresta tropical do planeta. Abrangendo nove países e sete milhões de quilômetros quadrados, a Amazônia abriga uma rica e complexa biodiversidade, lar de milhões de espécies de todos os reinos animais.
Ademais, a floresta é a morada de dezenas de aldeias indígenas, muitas delas completamente à parte da era contemporânea. O povo Waorani de Pastaza é uma aldeia localizada na Amazônia equatoriana e vive na floresta tropical há incontáveis gerações.
No entanto, a ganância de uma empresa petrolífera ameaça a subsistência, a cultura e a morada da aldeia, que desde o início reagiu à exploração predatória contra a natureza e seus costumes.

Vitória legal

Depois de uma longa batalha legal, travada nos tribunais, o povo Waorani protegeu com sucesso meio milhão de acres (dois mil quilômetros quadrados) de seu território ancestral na Floresta Amazônica contra a exploração de petróleo de uma multinacional estrangeira.
O leilão das terras dos Waorani foi suspenso indefinidamente graças à uma decisão conjunta de três juízes do Tribunal Provincial de Pastaza. A Corte cancelou todas as negociações da empresa petrolífera junto ao governo, tornando nula e sem efeito qualquer tentativa de compra de terras anteriores e futuras.
Tribo da Amazônia ganha ação judicial contra gigante do petróleo
Tal vitória estabelece um precedente legal inestimável para outras aldeias indígenas em toda a Amazônia equatoriana. Após acatar um pedido de proteção judicial para os Waorani, o Tribunal Provincial de Pastaza interrompeu todos os processos de licitação e de leilão de 16 blocos de petróleo que cobrem mais de 7 milhões de acres de território indígena, cobiçado por diversas empresas do ramo.

Corrupção governamental

Embora não haja provas concretas, algumas fontes relataram que o governo equatoriano pode estar aceitando subornos para acelerar os processos de licitação.
Segundo a Constituição do Equador, as terras indígenas devem ser protegidas. Estabelece-se na carta magna que tais direitos são inalienáveis, inseparáveis e indivisíveis, referindo-se aos povos indígenas como os mantenedores das posses de suas terras ancestrais.
Por fim, a constituição também declara que há necessidade de consulta prévia sobre quaisquer planos para explorar os recursos subterrâneos, dados os prováveis impactos ambientais e culturais nas comunidades tribais.
Devido a isso, os juízes do Tribunal Provincial ordenaram ao governo equatoriano a realização de uma nova consulta, aplicando desta vez os padrões estabelecidos pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, que trata em de seus pontos a exploração dos recursos naturais encontrados abaixo do solo.
Tribo da Amazônia ganha ação judicial contra gigante do petróleo
O presidente da Organização Waorani Pastaza, entidade de proteção das aldeias indígenas, observou: “O governo tentou vender nossas terras para as companhias petrolíferas sem a nossa permissão. Nossa floresta tropical é a nossa vida. Nós decidimos o que acontece em nossas terras. Nunca venderemos nossa floresta para as companhias de petróleo. Hoje, os tribunais reconheceram que o povo Waorani e todos os povos indígenas têm direitos sobre nossos territórios que devem ser respeitados. Os interesses do governo no petróleo não são mais valiosos que nossos direitos, nossas florestas, nossas vidas”.~

terça-feira, 16 de julho de 2019

Algo, infelizmente, bastante comum nos dias atuais


[ÁUDIO] Caso Tábata Amaral provoca debate sobre o papel e poder dos partidos


O caso mais comentado na votação da reforma da previdência foi o voto favorável de Tábata Amaral, do PDT, contrariando o fechamento de questão do partido.
O PDT se posicionou contra a reforma em uma convenção com 550 participantes, inclusive a própria deputada estreante. No entanto, ela votou favorável ao texto-base da reforma da previdência.
Confira no áudio, o comentário do colunista da Folha, Celso Rocha de Barros, sobre o papel e poder dos partidos políticos no Brasil, inclusive um comentário sobre o Caso Tábata: https://open.spotify.com/episode/72AdqvrsKKIpFhgCmfqyk5

Planeta precisa de 1,2 trilhão de novas árvores para conter o aquecimento, diz estudo

 


Além de preservar as florestas que já existem, a melhor solução para reduzir drasticamente o excesso de dióxido de carbono na atmosfera e conter o aquecimento global é plantar árvores. Em todos os espaços possíveis do planeta que não são ocupados nem por zonas urbanas, nem destinados a agropecuária.
Isso significaria plantar 1,2 trilhão de novas mudas, um número quatro vezes maior do que a totalidade de árvores que vivem na floresta amazônica. Calcula-se que existam no planeta hoje cerca de 3 trilhões de árvores.
O plantio massivo de árvores em locais subutilizados é o principal ponto defendido por estudo que sai na edição desta sexta-feira (5/7) da revista Science. "Seguramente podemos afirmar que o reflorestamento é a solução mais poderosa se quisermos alcançar o limite de 1,5 grau [de aquecimento global]", afirma à BBC News Brasil o cientista britânico e ecólogo Thomas Crowther, professor do departamento de Ciências do Meio Ambiente do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, e um dos autores do trabalho acadêmico.
O limite a que ele se refere é a preocupação central do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas, cujo relatório foi lançado ano passado: limitar o aumento do aquecimento global em 1,5 grau Celsius até 2050.
Para conseguir tal meta, Crowther defende uma campanha global - envolvendo governos, organizações e pessoas físicas. Afinal, o plantio deveria ocorrer em todos os espaços relativamente ociosos, independentemente de quem seja o dono do local. "São regiões degradadas em todo o mundo, onde humanos removeram as florestas e hoje são áreas que não estão sendo usadas para outros fins", comenta ele. "No entanto, não sabemos sobre a propriedade da terra de todas essas regiões. Identificar como incentivar as pessoas a restaurar esses ecossistemas é a chave para o reflorestamento global.
Este é o primeiro estudo já realizado que demonstra quantas árvores adicionais o planeta pode suportar, onde elas poderiam ser plantadas e quanto de carbono elas conseguiriam absorver. Se todo esse reflorestamento for feito, os níveis de carbono na atmosfera poderiam cair em 25% - ou seja, retornar a padrões do início do século 20.
Desde o início da atividade industrial, a humanidade produziu um excedente de carbono na atmosfera de 300 bilhões de toneladas de carbono. De acordo com os pesquisadores, caso esse montante de árvores seja plantado, quando atingirem a maturidade conseguirão absorver 205 bilhões de toneladas de carbono. "Os 300 bilhões de toneladas extra de carbono na atmosfera existentes hoje são devidos à atividade humana", diz o cientista. "O reflorestamento reduziria dois terços disso. Contudo, há um total de 800 bilhões de toneladas carbono na atmosfera, 500 bilhões das quais naturais."
80 mil fotos de satélite

Desmatamento da Amazônia no Peru

Para realizar o estudo, o grupo de pesquisadores utilizou um conjunto de dados global de observações de florestas e o software de mapeamento do Google Earth Engine. Foram analisadas todas as coberturas de árvores em áreas florestais da terra, de florestas equatoriais até a tundra do Ártico. No total, 80 mil fotografias de satélite de alta resolução passaram pelo crivo dos cientistas. Com as imagens, a cobertura natural de cada ecossistema pôde ser somada.
Por meio de inteligência artificial, dez variáveis de solo e clima ajudaram a determinar o potencial de arborização de cada ecossistema, considerando as condições ambientais atuais e priorizando áreas com atividade humana mínima. Por fim, modelos climáticos que projetam as mudanças do planeta até 2050 foram implementados no software, para que o resultado fosse o mais próximo do real.
Atualmente existem 5,5 bilhões de hectares de floresta no planeta - segundo a definição da ONU, ou seja, terras com pelo menos 10% de cobertura arbórea e sem atividade humana. Isso significa 2,8 bilhões de hectares com cobertura de dossel de árvores.
O estudo concluiu que há ainda um total de 1,8 bilhão de hectares de terra no planeta em áreas com baixíssima atividade humana que poderiam ser transformadas em florestas. Nesse espaço, poderiam ser plantadas 1,2 trilhão de mudas. "À medida que essas árvores amadurecem e aumentam, o número de espécimes cai. Quando chegamos às florestas maduras, as árvores realmente enormes armazenam maior quantidade de carbono e suportam grande quantidade de biodiversidade", completa Crowther. Isso renderia 900 milhões de hectares de copas de árvores a mais - uma área do tamanho dos Estados Unidos.
As medidas são urgentes. "Todos nós sabíamos que a restauração de florestas poderia contribuiu para o clima, mas não tínhamos ainda conhecimento científico para mensurar o impacto disso. Nosso estudo mostra claramente que o reflorestamento é a melhor solução, com provas concretas que justificam o investimento", afirma o britânico. "Se agirmos agora. Pois serão necessárias décadas para que novas florestas amadureçam e alcancem seu potencial. Ao mesmo tempo, é vital que protejamos as florestas que existem hoje e busquemos outras soluções climáticas a fim de reduzir as perigosas alterações climáticas."
"Nosso estudo fornece uma referência para um plano de ação global, mostrando onde novas florestas podem ser restauradas. A ação é urgente. Os governos devem incorporar agora isso em suas estratégias para combater as alterações climáticas", adverte o geógrafo e ecólogo Jean-François Bastin.
A pedido da reportagem, Bastin estimou quanto tempo seria necessário para que esse reflorestamento maciço começasse a implicar no freio ao aquecimento global: 18 anos. "Então, isso de fato ajudaria a retardar o problema, mas o mesmo tempo precisamos mudar consideravelmente nosso jeito de viver no planeta a fim de conseguir neutralizar nossas emissões de carbono", acrescenta ele.
Floresta em Krasnoyask, na Sibéria, na Rússia
Segundo os pesquisadores, mais da metade do potencial terrestre de reflorestamento está concentrada em seis países, nesta ordem: Rússia, com 151 milhões de hectares disponíveis; Estados Unidos (103 milhões); Canadá (78 milhões); Austrália (58 milhões), Brasil (50 milhões) e China (40 milhões).
O trabalho também mostrou o impacto que as mudanças climáticas devem ter na configuração das florestas existentes. Com o aquecimento global, é provável que haja um aumento na área de florestas boreais em regiões como a Sibéria. Contudo, a média de cobertura de árvores nesse tipo de ecossistema é de apenas 30% a 40%. No caso de florestas tropicais, que normalmente têm de 90% a 100% de cobertura de árvores, as alterações climáticas têm trazido efeitos devastadores.

Repercussão

O estudo foi bem-recebido por especialistas ambientais que tiveram acesso prévio ao material. "Finalmente, uma avaliação precisa do quanto de terra podemos e devemos cobrir com árvores, sem interferir na produção de alimentos ou espaços de habitação humana", pontua a diplomata Christiana Figueres, ex-secretária executiva da Convenção do Clima da ONU. "É um modelo para governos e para o setor privado."
"Agora temos evidências definitivas da áreas de terra potencial para o reflorestamento, onde elas poderiam existir e quanto carbono poderiam armazenar", avalia o engenheiro civil René Castro, especialista em desenvolvimento sustentável e diretor-geral do Departamento de Clima, Biodiversidade, Terra e Água da FAO, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.
"As florestas são um dos nossos maiores aliados no combate às mudanças climáticas, com resultados mensuráveis. O desmatamento não apenas contribui para uma perda alarmante da biodiversidade, mas limita nossa capacidade de armazenar carbono", completa ele.

Desmatamento da Amazônia no Brasil


O ambientalista Will Baldwin-Cantello, conselheiro-chefe para florestas da organização WWF (World Wide Fund for Nature), enfatiza o papel das florestas "contra a mudança climática". "Sem elas, perderemos a luta para manter o aquecimento global abaixo de 1,5 grau", diz. "Por isso é crucial atuarmos para restaurar as florestas enquanto reduzimos drasticamente as emissões globais de carbono."
Para ele, "o desafio é entender como podemos acelerar essa implementação", que requer "níveis sem precedentes de cooperação em níveis global e local".
"Só falta vontade política de lutar pelo nosso mundo", conclui.

segunda-feira, 15 de julho de 2019