Cuba e Venezuela sentiram a hostilidade da política de Trump. Ambos os países sofreram sanções. Em entrevista à Sputnik Mundo, cientista político comenta os pontos iguais entre ambos países.
Na década de 1960, os EUA impuseram um embargo contra Cuba que durou mais de 50 anos. A proibição de comércio com o país foi com o tempo consolidada por mecanismos legais, como a lei Helms-Burton. A vigência da lei é baseada na tentativa do Congresso norte-americano de forçar o governo cubano a "respeitar" os direitos humanos.
Em 2015, o presidente dos EUA, Barack Obama dirigiu-se ao Congresso de seu país para suspender o embargo a Cuba. Obama ressaltou a caducidade dessa política reconhecendo o fracasso da estratégia. No entanto, o embargo ao país é fundamentado pela lei Helms-Burton, o que dificultou a política de reaproximação de Obama.
Venezuelanos saem as ruas para protestar contra bloqueio econômico
Desde que tomou posse em 2017, o atual presidente dos EUA, Donald Trump, deixou claro que pensa diferente de seu antecessor. No último dia 5 de agosto, seu governo impôs um bloqueio aos ativos de autoridades venezuelanas nos Estados Unidos.
Em seguida, o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, apoiou uma política de sanções, semelhante à usada contra Cuba e aplicada a outros países que mantenham comércio com a Venezuela, durante a Conferência Internacional pela Democracia realizada em junho em Lima, Peru.
A Sputnik Mundo conversou com o cientista político cubano Arturo López-Levy da Universidade Holy Names em Oakland, Califórnia, sobre o tema. Ele explicou o erro por trás dos termos "embargo" e "bloqueio". Na verdade, ambos são usados tanto para suavizar como para maximizar o impacto das sanções no campo ideológico.
"Não se trata de um bloqueio no sentido militar, como o Direito Internacional descreve. Tampouco é um embargo, porque isto implicaria o fim de transações somente entre os dois países, sendo que em ambos os casos ocorreram sanções a países terceiros. Sendo assim, se trata de uma política de sanções", disse López-Levy.
Violações ao Direito Internacional
Antes de tudo, a maior semelhança que há entre as políticas contra Cuba e Venezuela é o fato de se tratar de violações ao Direito Internacional, segundo o cientista.
"Nenhuma nação tem o direito de ter como objetivo a queda do governo de outro país, nem tem o direito de aplicar unilateralmente sanções sem a aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, ou pelo menos de um órgão regional competente", comentou.
Por sua vez, Michelle Bachelet, alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, declarou que as sanções dos EUA à Venezuela são pouco construtivas.
Embora o aumento das sanções tente afligir o governo de Maduro, foi a população que sofre os maiores danos.
"Agora só há alguma exceção para os alimentos e remédios, entre os quais se estabeleceram inclusive sistemas de licença, mas o golpe na economia em geral é inegável. Já não se trata só de transações de pessoas alegadamente corruptas associadas ao governo", afirmou López-Levy.
No caso cubano, a situação ainda foi mais dramática, segundo Arturo López-Levy. Tais sanções teriam afetado os mais necessitados em Cuba. Mesmo assim, em Cuba a reação a nível nacional não aconteceu conforme o esperado. Enquanto esperava-se uma revolta contra o governo, Fidel Castro se fortaleceu com o apoio do Partido Comunista do país, enquanto que na Venezuela as sanções poderiam causar efeitos semelhantes com os partidários de Maduro.