terça-feira, 17 de novembro de 2015

MDA participa de entrega de certificados do PRONATEC e anuncia 1320 novas vagas

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Na última quarta-feira (11), o Delegado Federal do Desenvolvimento Agrário, Caramurú Paiva, participou da solenidade na UFERSA de Angicos aonde foram entregues certificados e anunciadas às novas turmas do PRONATEC executadas pela Escola Agrícola de Jundiaí em parceria com os sindicatos e as prefeituras de Lajes, Angicos e Fernando Pedrosa. 

“O PRONATEC oferece o conhecimento profissional e o resgate da autoestima”, falou o professor João Inácio, coordenador dos cursos pela Escola Agrícola de Jundiaí – EAJ. 

Na oportunidade, o Delegado Caramurú Paiva anunciou que serão iniciadas 66 turmas num total de 1.320 vagas em todo o Estado do Rio Grande do Norte cuja demanda dos sindicatos e prefeituras serão atendidas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário através das parcerias com os ofertantes EAJ, SENAR e o IFRN. “A formação técnica ofertada pelo MDA através do PRONATEC tem como público prioritário o jovem rural para assegurar as condições para a incorporação de jovens no trabalho com renda, sobretudo, pelos conhecimentos que aperfeiçoam as atividades agrícolas”, disse Caramurú Paiva. 

O PRONATEC O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) foi criado pelo Governo Federal, em 2011, por meio da Lei 11.513/2011, com o objetivo de expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica no país, além de contribuir para a melhoria da qualidade do ensino médio público. O Pronatec busca ampliar as oportunidades educacionais e de formação profissional qualificada aos jovens, trabalhadores e beneficiários de programas de transferência de renda. 

Os cursos, financiados pelo Governo Federal, são ofertados de forma gratuita por instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e das redes estaduais, distritais e municipais de educação profissional e tecnológica. Também são ofertantes as instituições do Sistema S, como o SENAI, SENAT, SENAC e SENAR. 

A Partir de 2013, as instituições privadas, devidamente habilitadas pelo Ministério da Educação, também passaram a ser ofertantes dos cursos do Programa. De 2011 a 2014, por meio do Pronatec, foram realizadas mais de 8 milhões de matrículas, entre cursos técnicos e de formação inicial e continuada.

Fonte: Assessoria de comunicação do MDA/RN

RECONHECIMENTO HISTÓRICO >> Primeiro açude do país, Cedro busca título de patrimônio mundial

Açude foi construído devido aos efeitos de estiagem no século XIX (Foto: Governo do Estado/Divulgação)
Açude foi construído devido aos efeitos de estiagem no século XIX
O Açude do Cedro, em Quixadá, é candidato a receber o título de Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A solicitação foi feita pelo governo brasileiro, por intermédio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A Lista Indicativa funciona como um instrumento de planejamento de preparação de candidaturas, assemelhando-se a um inventário, e é composta pela indicação de bens culturais, naturais e mistos, apresentados pelos países que ratificaram a Convenção do Patrimônio Mundial da Unesco. Essa iniciativa pode ensejar a participação de gestores de sítios, autoridades locais e regionais, comunidades locais, ONGs e outros interessados na preservação do patrimônio cultural e natural do país.



O Açude do Cedro, em Quixadá, foi a primeira grande obra hídrica realizada pelo Governo Brasileiro. A ordem de construção foi dada por D. Pedro II em decorrência do grande impacto social provocado pela seca de entre 1877 e 1879.



O Governo Imperial solicitou ao engenheiro Ernesto Antônio Lassance Cunha e a outros técnicos estudos de meios para o combate aos efeitos das secas. Ficou então decidida a construção de barragens nos leitos dos rios para barrar as águas pluviais. O próprio Ernesto Cunha indicou o Boqueirão do Cedro como local selecionado. Em 1880, o engenheiro britânico Jules Jean Revy confirmou a indicação.



No ano de 1882 o primeiro projeto foi feito pelo próprio Jules Revy que coordenou a realização de obras preliminares, como a construção de uma estrada de acesso e a instalação das máquinas. Às vésperas do início das obras, ocorre a proclamação da república e a consequente retirada de Revy. Após modificações no projeto realizadas em 1889 pelo engenheiro Ulrico Mursa, da Comissão de Açudes e Irrigação (atualmente DNOCS), as obras foram finalmente iniciadas em 15 de novembro de 1890. Sua conclusão, após várias interrupções, foi em 1906, já sob coordenação do engenheiro Bernardo Piquet Carneiro, que assumiu a direção da construção em 1900.



O açude teve base em alguns monumentos romanos no comando de Julio Caesar (Julio César). Possui quatro barragens: a Principal, a do Sul, a da Lagoa do Forges e a do Vertedouro. Estas barram as águas do rio Sitiá e dos riachos Macambira, Verde, do Socorro, do Cabo, Guaribas, Caracol e entre outros riachos da região
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O QUE DEFENDE A OPOSIÇÃO >> Fernando Henrique Cardoso defende fim do reajuste do salário mínimo

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Em entrevista ao “É Notícia“, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que a atual fórmula do salário mínimo “tem que ser revista”. “Chegou um momento que você tem que olhar a produtividade. Quando o salário está muito acima da produtividade, cria problema”, declarou. 
Ele disse ainda que o candidato tucano nas eleições de 2014, Aécio Neves, foi contra (a revisão da fórmula) “porque estava na eleição, mas tem que ser revista”. Hoje, o salário mínimo é reajustado com base na inflação do ano anterior e no crescimento (PIB) de dois anos antes, o que normalmente garante um aumento acima da inflação.
Na conversa com a jornaista Amanda Klein, Fernando Henrique afirmou ainda que as propostas recém-lançadas do PMDB estão na direção correta. Sobre o fim das despesas obrigatórias para saúde e educação, o ex-presidente disse que “não sabe se é o caso”, mas admitiu conversar sobre a ideia. “Não basta ter dinheiro, tem que ter competência”, ponderou. FHC falou sobre o Bolsa Família. Segundo ele, o programa de distribuição de renda é importante, mas é preciso criar portas de saída. E afirmou que o Bolsa Família, que hoje beneficia quase 14 milhões de famílias, deve diminuir com o tempo: “deve haver uma evolução das famílias”.
Fernando Henrique Cardoso ainda subiu o tom de críticas sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O ex-presidente também foi cauteloso ao falar sobre a possibilidade de impeachment da atual presidente, Dilma Rousseff. 
Fonte: Site O POTIGUAR

Wikileaks >> EUA armaram Estado Islâmico que agora combatem no Iraque

Militantes do Estado Islâmico na província de Raqqa na Síria.Os Estados Unidos da América recusaram ajuda ao Governo da Síria no combate a grupos radicais islâmicos como a Al-Qaeda e o EIIL (Exército Islâmico do Iraque e do Levante, que recentemente mudou de nome para Estado Islâmico). Além disso, segundo revelações feitas pela Wikileaks, a administração norte-americana armou grupos como o Estado Islâmico. Os quase 3 mil documentos sobre o assunto foram divulgados pelo site dirigido por Julian Assange na sexta-feira passada.

A 18 de fevereiro de 2010, o chefe dos serviços secretos sírios, o general Ali Mamlouk, apareceu de surpresa numa reunião entre os diplomatas norte-americanos e Faisal a-Miqad, vice-ministro das relações externas da Síria. A visita de Mamlouk foi uma decisão pessoal de Bashar al-Assad, presidente sírio, em mostrar empenho no combate aos grupos radicais islâmicos no Médio Oriente, afirma o documento.

Neste encontro com Daniel Benjamin, coordenador das ações de contra-terrorismo dos EUA, “o general Mamlouk enfatizou a ligação entre a melhoria das relações EUA-Síria e a cooperação nas áreas de inteligência e segurança”, afirmam os diplomatas norte-americanos em telegrama destinado à CIA, ao Departamento de Estado e às embaixadas dos EUA no Líbano, Jordânia, Arábia Saudita e Inglaterra.

Para Miqad e Mamlouk, essa estratégia passava por três pontos: com o apoio dos EUA, a Síria deveria ter maior papel na região, a política seria um aspeto fundamental para ações de cooperação contra o terrorismo e a população síria deveria ser convencida dessa estratégia com a suspensão dos embargos económicos contra o país. Para Imad Mustapha, embaixador sírio em Washington, “os EUA deveriam retirar a Síria da lista negra”. Nas palavras de George W. Bush, o país fazia parte do “eixo do mal”, junto com Coreia do Norte e Afeganistão.

Apesar da discordância entre os EUA e a Síria em relação ao apoio de Assad a grupos como o Hezbollah e o Hamas, os dois países concordavam quanto à necessidade de interromper o fluxo de guerrilheiros estrangeiros para o Iraque e impedir a proliferação de grupos radicais, como a Al-Qaeda, o EIIL e o Junjalat, grupo palestiniano com a mesma orientação política. Para Benjamin, as armas chegavam ao Iraque e ao Líbano contrabandeadas através do território sírio.

Mamlouk reforçou a “experiência síria em combater grupos terroristas”. “Nós não ficamos na teoria, tomamos atitudes práticas”, foram as palavras do chefe de inteligência de Assad.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

ATENÇÃO AOS PRAZOS >> Calendário Eleitoral para 2016

RESULTADOS DA POLÍTICA DE INCLUSÃO >> Índia formada em medicina em Cuba quer levar conhecimentos a aldeias

Maíra Yawanawá, de 27 anos, tem origem indígena do povo Yawanawá e amazonense (Foto: Arquivo pessoal)
Maíra sonha com a revalidação do diploma; ela fez 1ª prova em Rio Branco. ‘Ouvia piadas que eu andava entre cobras e onças’, diz ela sobre faculdade.


O sonho de cuidar da saúde de seu povo na aldeia deu força para a índia Maíra Yawanawá, de 27 anos, passar sete anos longe de casa para estudar medicina. Ela começou o curso em 2009, como cotista indígena da Escola Latino Americana de Medicina, em Cuba, e se formou em julho deste ano.
Hoje, o maior desejo de Maíra é validar o diploma e poder unir os conhecimentos adquiridos da faculdade com o da cultura indígena.

“Quero atender as comunidades indígenas e ribeirinhas. Nada melhor do que uma índia, que já conhece essa realidade, para trabalhar junto com eles. Acho que a gente conhece a nossa casa. Eu sei como meu povo funciona. Tenho os conhecimentos que adquiri como médica, mas também sei respeitar a cultura”, afirma.

A médica é um dos inúmeros candidatos formados em universidades fora do Brasil que buscam revalidar seus diplomas por meio do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras (Revalida). No dia 1º de novembro ela fez prova em Rio Branco.
india_do_acre_formou_em_medicina_em_julho_de_2015_em_cuba_e_fez_1a_fase_do_revalida_em_rio_brancoSegundo Maíra, ter uma índia formada em medicina é um avanço para o seu povo.

“Os indígenas tinham mais a tradição de curandeiros, com o uso das ervas para tratar as pessoas. Hoje como as coisas estão modernas, existem doenças na aldeia que não existiam antes e não é possível resolver somente da forma indígena. A ideia é somar os conhecimentos tanto da cultura indígena quanto da ciência”, diz Maíra.



MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE >> Comprovando a importância das árvores para a regulação do clima nas cidades...


Foto de Antonio Guedes.
A reportagem mostra que durante a pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso, foi montado um posto de controle para medir a diferença do clima no parque e na região central de Cuiabá. 
“No parque os termômetros registraram -4°C comparado ao Centro no mesmo horário”. 
Outro ponto observado, conforme o pesquisador, foi em relação à umidade relativa do ar. “Se no Centro a medição era 20%, no parque a diferença era exorbitante chegando aos 60% de umidade". 

domingo, 15 de novembro de 2015

HOJE EM NATAL >> Feira Potiguar de Adoção de cães e gatos


DICA DE LAZER E TURISMO >> O encontro do rio com o mar, foz do Rio Punaú, no município de Rio do Fogo (Litoral Norte).

Foto de RNatural.
As belas paisagens de coqueirais, dunas e o encontro do rio com o mar, foz do Rio Punaú, no município de Rio do Fogo (litoral Norte), a 65 km de Natal, o complemento ideal para um dia especial com os amigos ou a família.

O local fica em uma propriedade privada. Para entrar, paga-se uma taxa de R$ 50,00 por carro, dos quais R$ 40,00 são revertidos em consumação. 

Entre as atrações do lugar, destacam-se os passeios de caiaque (R$ 10,00 o caiaque para uma pessoa e R$ 20,00 o que comporta 2 pessoas); andar de quadriciclo (R$ 60,00 o passeio por 30 minutos pelas dunas e praias circunvizinhas); descer na tirolesa (R$ 5,00 por descida) e no “esquibunda” (R$ 5,00 por descida); andar a cavalo (R$ 35,00 por 30 minutos); e o melhor, tomar banho no Rio Punaú, com suas águas calmas e mornas, perfeito para relaxar enquanto sente a brisa fresca do litoral.

Fonte: RNatural

A Vale mentiu >> A lama das barragens tem concentração de metais até 1.300.000% acima do normal

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“A lama não é tóxica, a alma não é tóxica, a lama não é tóxica”: este foi o mantra repetido pela Vale desde o início do crime. Ao contrário do afirmado pela companhia, de que a composição da lama seria predominantemente de sílica (areia), análises preliminares já mostram índices de ferro de até UM MILHÃO E TREZENTOS MIL POR CENTO acima do tolerável. E metais pesados não estão descartados.
Veja:
“A água coletada pelo SAAE (Serviço de Água e Esgoto) de Valadares aponta um índice de ferro 1.366.666% acima do tolerável para tratamento – um milhão e trezentos mil por cento além do recomendado, segundo relatório enviado à reportagem do R7. Os níveis de manganês, metal tóxico, superam o tolerável em 118.000%, enquanto o alumínio estava presente com concentração 645.000% maior do que o possível para tratamento e distribuição aos moradores. As alterações foram sentidas a partir de 8h, enquanto o pico de lama tóxica ocorreu às 14h no rio Doce.
Servidores da prefeitura esclarecem que não têm condições técnicas de verificar a ocorrência de materiais pesados (como arsênio, antimônio e chumbo, normalmente presentes em rejeitos que contêm ferro), e por isso aguardam análises da Copasa e de dois laboratórios para detalhar a situação.”

ARTIGO >> O intruso Lula Por que o filho do excluído Aristides difere radicalmente dos demais presidentes de uma República mal resolvida

Lula-e-FHC
Em relação a Lula, o príncipe dos sociólogos mais uma vez se enganou
Lula cometeu um “erro” fundamental, nos oito anos na Presidência da República, ao oferecer a 40 milhões de excluídos da sociedade o status de cidadãos brasileiros. Ele paga o preço.
Uma parcela da população facilmente identificável reage a isso e se horroriza, por exemplo, com a frequência dos novos passageiros de aviões. Eles teriam dado aos aeroportos uma aparência de rodoviária. Eis aí um preconceituoso ponto de vista. 
Mas há uma hostilidade precedente a esta. Foi motivada pela ascensão de Lula, um ex-operário metalúrgico que chegou ao topo do poder. Em 2002, na 19ª vez em que foi às urnas para eleger um presidente, o eleitor subverteu a regra imperante, em 103 anos de uma República mal resolvida, e elegeu o filho do excluído Aristides Inácio da Silva, falecido 15 anos antes. Por falta de documentação, foi enterrado como indigente. 
Antes de Lula, a regra para ingressar no “Clube dos Eleitos” exigia um diploma de bacharel. Em alguns casos, a porta foi arrombada por alguém com uma espada na mão. Excluída a intromissão ilegal dos militares valem, para esta constatação, os eleitos pelo voto popular.
Os presidentes-advogados prevalecem: Prudente de Morais, Campos Sales, Rodrigo Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha, Venceslau Brás, Epitácio Pessoa, Artur Bernardes, Washington Luís, Getúlio Vargas e Jânio Quadros. Além do médico Juscelino Kubitschek, do economista Fernando Collor de Mello e do sociólogo Fernando Henrique Cardoso.
A expressão “Clube dos Eleitos” é de FHC, criada muito antes de ele próprio chegar ao poder com o diploma de sociólogo em mãos. A porta do clube abriu-se comodamente para o vaidoso FHC, mas não engoliu um inesperado metalúrgico. 
Lula tornou-se um intruso ou, popularmente, um penetra no “Clube dos Eleitos”, mas não assinou a ficha de sócio. 
O pernambucano Lula, imbuído de alma popular, não migrou de classe. E tem a compreensão desse processo. Em entrevista recente, referiu-se a isso ao fazer o contraponto entre ele e FHC, chamado por seus pares de “príncipe da sociologia”. “Ele tem um problema comigo, que é um problema de soberba. Ele sofre com o meu sucesso.” 
Segundo Lula, o ex-presidente tucano, ao deixar o poder após dois mandatos, teria pensado assim: “O Lula vai ganhar, é um coitadinho. Não vai saber nada, não vai dar certo. Quando chegar em 2006, eu vou voltar pelos braços do povo (...) Acontece que, quando o meu governo teve sucesso, em vez de dizer ‘eu ajudei esse menino a vencer’, ele começou a ficar com bronca”.
Lula não tem alternativa política. De frase em frase, ele vai se aproximando da inevitabilidade da candidatura em 2018. A última declaração dele foi incisiva: “É importante defender um projeto político de inclusão. Para defender esse projeto, eu estou disposto a ser candidato”.
Em vez de cadeia, talvez a cadeira presidencial. 

TECNOLOGIA SOCIAL >> Projeto que reutiliza água para plantio no RN vence prêmio nacional

Tecnologia que reutiliza água para plantio no RN vence prêmio nacional

O sistema que reutiliza água servida para irrigação rendeu a um assentamento rural de Upanema, cidade da região Oeste do Rio Grande do Norte, o prêmio de melhor tecnologia social criada por mulheres do país. O projeto Água Viva, criado pelo Centro Feminista 8 de Março no assentamento Monte Alegre, receberá R$ 50 mil da Fundação Banco do Brasil, que promove o evento. E o recurso já tem destino certo: será reinvestido na ampliação do projeto para outros municípios potiguares. 
Assista o vídeo sobre o projeto aqui.
“A proposta inicial era a organização das mulheres e nesse processo percebemos a necessida de algo para construir a participação delas no processo produtivo do assentamento. Era uma autonomia muito demandada por elas”, explica a agrônoma Ivi Dantas, assessora técnica do centro feminista, que esteve em Brasília nesta terça-feira (10) para receber o prêmio.
Os imóveis instalaram tubos que captam a água servida, utilizada para práticas domésticas como lavagem de roupas, louça e banho. O líquido passa então por um processo de filtragem, chegando a um reservatório e sendo reaplicado na plantação de hortaliças e árvores frutíferas.
Criado como projeto piloto em 2013, o sistema de filtragem foi aplicado inicialmente nas casas de três moradoras, que além de reaproveitar água e plantar para consumo próprio, já produzem o suficiente para comercializar os alimentos com as cerca de 70 famílias do assentamento.
A cientista social Rejane Medeiros, também assessora técnica do centro feminista, detalha que as cidades de Tibau, Grossos e Porto do Mangue, todas na região Oeste, foram escolhidas como locais para reaplicação do projeto. “A ideia é reaplicar em novos espaços para apoiar a organização das mulheres na luta por autonomia. A geração de renda se mostrou fundamental nesse processo. Nos locais pretendemos implantar uma formato de capacitação autônoma”, avalia Medeiros.
Com o dinheiro da premiação, o centro feminista também planeja aprimorar a tecnologia social. Inicialmente a ideia é trocar o material de alvenaria usado no sistema por placas, as mesmas usadas na construção de cisternas.
Vencedor na categoria Mulheres, o Água Viva disputou o prêmio com os projetos Gente da Maré: Melhorando as condições de vida das marisqueiras do Nordeste, da Universidade Federal do Semi-Árido (Ufersa) na cidade de Mossoró, e Metodologia de Gestão de Empreendimentos Solidários por Meio de Indicadores, Instituto Consulado da Mulher (ICM), de São Paulo. Os dois demais finalistas receberam R$ 25 mil em premiação cada um.
A Fundação Banco do Brasil também entregou prêmios nas categorias comunidades tradicionais, agricultores familiares e assentados da reforma agrária; gestores públicos; universidades e instituições de ensino e pesquisa; juventude; e meio urbano. Além do prêmio, o Água Viva foi certificado e passou a integrar o banco de tecnologias sociais da Fundação Banco do Brasil, que pode ser consultada no site da instituição.

“Transgênicos não são alimentos, e sim mercadorias”, diz médico >> “A realidade dos agrotóxicos e transgênicos no Brasil e seus impactos sobre a saúde humana e ambiente”

Javier Foto
Em entrevista ao Saúde Popular, médico argentino analisa os danos causados por alimentos geneticamente modificados e agrotóxicos para as pessoas e a sociedade.
O médico argentino e membro da Rede Popular de Médicos da Argentina, Javier Balbea, esteve no Brasil para participar do seminário “A realidade dos agrotóxicos e transgênicos no Brasil e seus impactos sobre a saúde humana e ambiente”, que ocorreu durante Feira Nacional da Reforma Agrária, em São Paulo, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Em entrevista ao Saúde Popular, Balbea critica o uso dos transgênicos e agrotóxicos, pois acredita que eles são uma tecnologia que serve ao propósito de dominar os territórios dos países produtores.
Para o médico, o ato de comer e produzir alimentos está ligado diretamente à cultura dos povos, e isso está sendo ameaçado. “A produção transgênica é de mercadoria, não de alimentos. Isso vai na contramão da cultura dos povos”.
Confira abaixo a entrevista de Javier Balbea ao Saúde Popular:
– Qual o propósito de uma tecnologia como os transgênicos?
As tecnologias não são neutras. Elas são instrumentos políticos e algumas servem a determinados poderes para implementar determinadas ações.
Se uma tecnologia tem apoio de toda a indústria, vai ser criado um processo de legitimação social para que as pessoas a aceitem.
No caso dos transgênicos, eles servem para a dominação de alguns territórios pela produção de commodities [produtos primários] a favor do capital.
– Você disse que comer é um ato cultural. Como os transgênicos mudam nossa forma de comer e produzir?
O alimento é muito mais que nutrientes. Às vezes, comemos sem ter fome, por uma relação social que se estabelece ao redor de produzir e preparar os alimentos.
Quando deixamos de produzir alimentos e passamos aos produtos transgênicos, que são mercadorias, não existe essa relação, porque é uma produção que vai na contramão da cultura dos povos.
Na Argentina, por exemplo, não temos a cultura de comer soja, mas temos uma expansão da fronteira agrícola baseada no cultivo de soja. No Brasil é o mesmo. É uma produção feita, especialmente, para a exportação, que atende ao interesse de outras nações.
Além disso, vários estudos mostraram que ingerir produtos transgênicos gera doenças, como mudanças no tubo digestivo, além da química associada ao produto geneticamente modificado: não há transgênico que não tenha em sua composição agrotóxicos.
– Por que países como Brasil e Argentina continuam a usar agrotóxicos comprovadamente perigosos, que foram banidos em outros países?
Esses países, principalmente na Europa, decidiram por pressões populares e outros motivos que esses venenos causam danos à saúde. Mas em países como Brasil e Argentina, onde é mais fácil manipular a política, o uso continua.
São países que não são verdadeiramente soberanos, não podem articular suas próprias políticas; eles respondem às políticas que se desenvolvem nos países capitalistas centrais. Dependem dessa economia que se decide em outro lugar e é aplicada nos seus territórios. Há uma liberdade e impunidade que permite atravessar o direito dos povos.
Debate Javier

– Por que há um silêncio da comunidade científica sobre muitas denúncias e questionamentos em relação aos transgênicos?
Acredito que por é falta de conhecimento, pelo tipo de formação que existe, que naturaliza essas tecnologias como algo indispensável para a economia e a sociedade.
É o paradigma de que a economia pesa mais que a vida. Toda nossa vida passa pelo consumo. O econômico tem um valor que está acima de qualquer outro direito, é a forma de funcionar da sociedade.
E quando se pensa que não há alternativa, é uma vitória para essa forma de pensar dominante, que não nos deixa acreditar que há formas de produzir sustentáveis e que a saúde é algo utópico.
Mas, cada vez mais, o debate se vai dando de forma maior, em lugares mais importantes. O acúmulo de informação e o mal estar social que vai se gerando através desse tema já não permite que alguns olhem para o outro lado [e ignorem o assunto].
– E como a rede de médicos da Argentina contribui para esse debate?
Quando os cientistas vão contra os interesses da indústria, eles são perseguidos, deixados de lado de cargos e carreiras, apenas por publicar o que acreditam ser correto.
É preciso ter um espaço onde os médicos, os profissionais da saúde e outras disciplinas se sintam seguros de poder investigar e compartilhar a informação.
Já realizamos três congressos de saúde ambiental, com pessoas que participaram de discussões sobre transgênicos, agrotóxicos, de modelos produtivos diferentes.
Esse processo criou uma união de cientistas comprometidos com a saúde e a natureza da América Latina. A rede tem sido um espaço que permite criar e contestar, sem que essas pessoas se sintam perseguidas pela indústria, tenham apoio e espaço para pensar outra ciência que esteja a favor dos interesses do povo.