quinta-feira, 28 de junho de 2018

ELEIÇÕES >> Mujica diz que prisão de Lula afeta a América Latina

 O ex presidente do Uruguai, José Mujica em entrevista coletiva após visitar o ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba (PR), nesta quinta-feira (21). A presidente do PT, Gleisi Hoffmann esteve presente.O ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica disse na última quinta-feira (21) que está preocupado com a situação política e econômica da América Latina. Ele falou rapidamente com a imprensa na saída da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, após visitar o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que segue preso desde 7 de abril. “O Uruguai é um país pequeno, no meio dos gigantes Brasil e Argentina. Então, quando algum vizinho nosso se resfria, o Uruguai se gripa”, afirmou.
Mujica chegou à sede da PF volta das 15h30. Primeiro, se dirigiu à militância, concentrada a poucos metros do prédio, na chamada “Vigília Lula Livre”. "Adiante, companheiros. Lula somos todos; todos os que têm problema na imensidão da América Latina. Não se esqueçam”, discursou. O uruguaio estava acompanhado da senadora e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann. Na sequência, ele entrou na Superintendência, na condição de amigo pessoal do petista, e permaneceu no local por aproximadamente uma hora. As visitas de familiares e mais dois amigos a Lula acontecem sempre às quintas. Os nomes são informados previamente à corporação.  
De acordo com Mujica, a conversa com Lula foi muito cordial. “Fazia tempo que eu não o via. Eu o encontrei com bom ânimo, bom temperamento, com alguns quilos a menos, lendo muitos livros e preocupado, como não podia ser de outra maneira, com o futuro do Brasil e da América latina”, contou. “De que podemos conversar? Sobre tanta coisa... A preocupação com o que se passa na América... E futebol também”, prosseguiu. Ambos tinham se visto pela última vez em março, na fronteira entre a cidade uruguaia de Rivera e Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, um dos pontos de passagem da caravana “Lula pelo Brasil”.
Ainda segundo o ex-mandatário uruguaio, durante todo o tempo em que ficou no Palácio do Planalto, de 2003 a 2011, o petista teve muita consideração pelas nações vizinhas. “O Brasil se comportou como uma espécie de irmão mais velho. Tenho que reconhecer e reconheceremos sempre”, destacou. Mujica também falou que seu desejo de que o Brasil supere seus problemas não é gratuito, “porque se o Brasil anda bem, nós andamos bem. Mas se o Brasil anda mal, nós também andamos mal. Não há como desvincular as economias. Por isso que minha pátria se chama América Latina”. 
Questionado se pensa que enfrentamos uma crise na democracia, Pepe respondeu que não pensa, e sim vê o que está acontecendo. “O que mais me preocupa é como o povo brasileiro pode calçar seu futuro para superar as contradições, não perder sua alegria e não cair em uma confrontação (…) Tenho mais de 80 anos. Não vou ver, mas o mundo que vai vir necessita que nós, latino-americanos, tenhamos atitude e grandeza de nos darmos conta de que temos de ter um forte vínculo, porque senão, nós não existiremos”.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

SELEÇÃO BRASILEIRA É CAMPEÃ >> A seleção brasileira feminina de futebol é hepta e não falamos sobre isso, mesmo assim a mídia ainda alega que não é machista!

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O Brasil é o país do futebol. Campeonatos são aclamados, jogadores são ídolos, milhares de reais são gastos em salários para nossas estrelas. Mas só se estivermos falando dos homens. O esporte não é nem levemente valorizado da mesma forma quando falamos das atletas mulheres.
No dia 22 de abril a seleção brasileira de futebol foi heptacampeã da Copa América. E mais que isso, nossas atletas levantaram a taça depois de uma campanha invicta na competição. Com a vitória, o time garantiu uma vaga para as Olimpíadas de Tóquio, em 2020, e para a Copa do Mundo, em 2019.
Mas você não ouviu falar algo sobre isso? Se fosse uma vitória do time masculino, teríamos acompanhado o dia a dia, os treinos, a análise dos adversários, teríamos transmissão ao vivo dos jogos… Mas o das mulheres, nada!
Fazemos aqui a nossa mea culpa também que, como mídia, não cobriu intensamente esse campeonato como deveríamos. Faltou espaço até onde elas deveriam ter ainda mais destaque: a mídia feminina. Assim como fazemos na luta pelas conquistas diárias das mulheres, ficamos com essa lição para a próxima competição. E como já diria alguns gritos de guerra do próprio futebol: “Se a seleção feminina for jogar, eu vou” - mesmo que seja só de torcida e espírito. 

COPA DO MUNDO >> Hoje novamente terá jogo da seleção brasileira!


A MÍDIA NÃO CONSEGUE ESCONDER SEU LADO >> Sobre a participação da pré-candidata Manela D'Ávila (PC do B) no Programa Roda Viva


RESULTADOS DOS PREJUÍZOS PARA OS TRABALHADORES >> Pesquisadores da UERN estudam impacto dos atrasos salariais nas famílias dos servidores públicos do RN

A partir de agosto, o Grupo de Pesquisas em Gestão, Finanças e Contabilidade da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) desenvolverá um estudo intitulado “Mensuração do endividamento e prejuízos financeiros dos servidores públicos estaduais provocados pelos sucessivos atrasos salariais promovidos pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte nos anos 2016, 2017 e 2018”. 

A informação é da assessoria de comunicação da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

De acordo com a publicação, o objetivo é mensurar o endividamento e prejuízos financeiros dos servidores ocasionados pelos sucessivos atrasos salariais ao longo de mais de dois anos consecutivos, bem como investigar a existência de empréstimos e pagamento de juros por parte dos servidores, onerando seus orçamentos familiares, além de averiguar junto aos servidores ou seus familiares se estes enfrentam ou enfrentaram problemas psiquiátricos de saúde, tais como depressão, ocasionados por causa dos atrasos salariais.

A pesquisa também pretende descobrir o tempo que será necessário transcorrer para que as finanças dessas famílias voltem ao patamar de quando os salários eram pagos dentro do prazo legal e inquirir dos servidores públicos os valores pagos a título de prejuízos com juros de cartão de credito e/ou cheque especial por causa dos atrasos nos pagamentos de seus vencimentos.

O trabalho científico foi aprovado no Programa Institucional de Iniciação Científica da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (PIBIC/UERN) e contará com atuação de três professores do curso de Ciências Contábeis. A coordenação será do Prof. Me. Auris Martins de Oliveira.

Segundo o coordenador, a captação dos dados será através de um questionário padrão com perguntas abertas e fechadas que será disponibilizado por meio eletrônico, com link para o Google Docs, aos trabalhadores prejudicados pelos atrasos salariais, em específico para as categorias de servidores públicos da Saúde, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, UERN, Auditores Fiscais, tanto ativos como inativos e pensionistas do IPERN – Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Rio Grande do Norte, incluídos nestes últimos professores aposentados da rede estadual de ensino.

NEGLIGÊNCIA >> Em Santana do Matos MPRN denuncia duas pessoas por negligência que causou acidente fatal

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O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) denunciou Francisco de Assis Macedo e Pedro Miranda da Silva ao Juízo da comarca de Santana do Matos, por terem agido de forma negligente e causado a morte de uma pessoa, além de ferir outras duas. Os dois eram encarregados de uma obra na rodovia RN-041, nas proximidades da comunidade rural Bom Jesus, localizada na cidade. 

Na noite do dia 25 de abril passado, ocorreram acidentes com duas motocicletas que caíram em um buraco de uma obra de fortalecimento do asfalto com escoamento de água de chuva. A falta de sinalização adequada somada à uma mudança de posição de interrupção de faixas da pista, sem sinalização adicional ou comunicação feita à população de Santana do Matos, provocaram a queda dos motoqueiros. Os acidentes resultaram na morte de um dos condutores e em lesão corporal do outro condutor e passageiro.  

Assim, a Promotoria de Justiça de Santana do Matos pede que a Justiça potiguar aceite a denúncia para que seja instaurada ação penal contra os dois denunciados. Há ainda um segundo pedido, para que a Justiça suspenda o exercício de função pública de Francisco de Assis Macedo, que ocupa o cargo de chefe do 7º Distrito Rodoviário (do Departamento de Estradas e Rodagens/DER-RN) e responsável pela fiscalização de todas as obras realizadas em diversas rodovias estaduais em municípios como Santana do Matos, Jucurutu e outros da região. 

A obra era executada pela empresa RP Construções, tendo o segundo acusado pelo MPRN, Pedro Miranda da Silva, como encarregado e responsável por providenciar não só os reparos, como toda a sinalização da via e demais atos atinentes a manter seguro o tráfego de veículos automotores.

Resultado de imagem para obra na  RN-041Para a realização dos reparos na estrada, os acusados determinaram a abertura de um buraco em plena rodovia, razão pela qual interromperam parcialmente a passagem de veículos no local, interditando uma mão de direção. Pedro Miranda não sinalizou corretamente a via, deixando de fixar placas (sinalização vertical) retrorrefletivas e colocando apenas duas placas rudimentares em cada sentido, pintadas por ele próprio, sendo impossível visualizá-las em período noturno, notadamente no trecho da estrada em questão, que não conta com iluminação.

Ele também não providenciou sinalização horizontal adequada, assim como obstáculo adequado e visível à distância na pista (como cone) que indicasse a necessidade dos condutores mudarem de mão de direção. Ao contrário, foram colocados pequenos e poucos galhos secos de vegetação nativa, perceptíveis no período noturno apenas quando imediatamente na frente do veículo – sendo impossível à vítima frear a motocicleta e evitar a queda. 

O agravante é que o bueiro cavado estava na via da pista no sentido zona urbana de Santana do Matos para a comunidade. Porém, no dia do fato, por volta de 14h, o denunciado Pedro Miranda, em atitude irresponsável e reveladora de incompetência, trocou a interrupção na pista de rolamento do local. Ele fechou o buraco anterior e cavou um outro no sentido contrário (comunidade – zona urbana Santana do Matos) sem adotar qualquer sinalização adicional. Assim, as vítimas foram surpreendidas com a mudança de interrupção da pista. 

Para o Ministério Público, Francisco de Assis era completamente ciente das irregularidades cometidas na sinalização, como fiscal da obra, compareceu inúmeras vezes ao local, mas não exigiu a correta sinalização, além de ter autorizado a mudança de interrupção da pista sem qualquer aviso aos cidadãos da localidade. Confira aqui a denúncia.

EM BUSCA DE MUNDO MAIS HUMANO >> Agenda de Desenvolvimento Sustentável precisa de mais impulso, diz relatório

Relatório de avaliação dos ODSs, publicado na quarta-feira (20), aponta avanços e recuos na Agenda 2030; número de pessoas subnutridas aumentou, mas taxa de mortalidade infantil caiu.

Mudanças climáticas, conflitos, desigualdades, pobreza, fome e urbanização dificultam o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A informação consta de um novo relatório lançado esta quarta-feira, em Nova Iorque.

A pesquisa das Nações Unidas destaca vários avanços, mas diz que os progressos têm sido lentos e mais esforços são necessários para vencer os desafios que os países enfrentam.

POBREZA E FOME

No lançamento, o secretário-geral adjunto para os Assuntos Económicos e Sociais, Liu Zhenmin, disse que “a transição para sociedades mais sustentáveis ​​e resilientes exige uma abordagem integrada, reconhecendo que esses desafios, e as suas soluções, são interdependentes”.

O relatório usa os dados disponíveis mais recentes para avaliar o progresso nos 17 Objetivos, destacando também lacunas e desafios.

No Objetivo 1, dedicado à pobreza, a pesquisa diz que 783 milhões de pessoas ainda vivem com menos de US$ 1,90 por dia, o nível que determina pobreza extrema.

No Objetivo 2, Fome Zero, depois de um período de declínio, acontece agora uma subida dos números. Em 2015, existiam 777 milhões de pessoas subnutridas. Esse número passou para 815 milhões em 2016, sobretudo devido a conflitos e desastres naturais.

SAÚDE

Quanto ao Objetivo 3, a pesquisa diz que “mesmo nas regiões com os maiores desafios de saúde, o progresso tem sido impressionante”. Entre 2000 e 2016, a taxa de mortalidade infantil caiu 47%, com o número de mortes de crianças com menos de cinco anos a descer de 9,9 milhões para 5,6 milhões.

Os autores também dizem que o mundo não está numa trajetória para acabar com a malária até 2030. Em 2016, existiam 216 milhões de pessoas com a doença, mais 6 milhões do que em 2013.

A nível da igualdade de gênero, o risco de uma menina se casar na infância diminuiu mais de 40% no sul da Ásia. Em todo o mundo, as mulheres continuam a gastar cerca de três vezes mais horas em trabalho doméstico e de cuidados do que os homens.

QUALIDADE DE VIDA

Nos países menos desenvolvidos, a parte da população com acesso à eletricidade mais do que duplicou entre 2000 e 2016. Apesar disso, quase um bilhão de pessoas ainda não tem este serviço, quase todas em zonas rurais.

A nível laboral, a produtividade aumentou e a taxa de desemprego diminuiu. Os jovens têm três vezes mais probabilidade de estar desempregados do que os adultos.

O relatório diz ainda que nove entre 10 pessoas que vivem nas cidades respiram ar poluído. Em relação à justiça, a proporção de prisioneiros detidos sem ser condenados permaneceu quase constante na última década.

terça-feira, 26 de junho de 2018

UMA SIMPLES COMPARAÇÃO >> Desmistificando a ideia ultrapassada do estado mínimo


EXPLORAÇÃO >> Redes de supermercados contribuem para pobreza no campo, diz estudo

Redes de supermercados contribuem para pobreza no campo, diz estudo
Enquanto os supermercados ficam com até 50% dos lucros, a parcela que fica com trabalhadores e produtores rurais pode ser menos de 5%.
As grandes redes de supermercados também são responsáveis pela pobreza e pelas condições precárias de trabalho na cadeia de fornecedores de alimentos, onde estão trabalhadores rurais e pequenos e médios agricultores. É o que revela o relatório Hora de Mudar - Desigualdade e sofrimento humano nas cadeias de fornecimento dos supermercados, lançado no dia 21 pela organização não governamental Oxfam. O relatório completo está disponível na página da Oxfam Brasil.
De acordo com o relatório, a concentração do mercado global de alimentos acaba “espremendo” as cadeias de fornecimento pelo menor valor dos seus produtos, restando aos trabalhadores e produtores uma renda insuficiente para uma vida digna, trabalho análogo à escravidão e perda de suas terras. Enquanto os supermercados ficam com uma parcela cada vez maior do que é gasto em suas lojas, em alguns casos, cerca de 50%, a parcela que fica com trabalhadores e produtores rurais pode ser menos de 5%.
“O resultado é o sofrimento humano generalizado entre mulheres e homens que produzem alimentos para supermercados em todo o mundo. Do trabalho forçado a bordo de navios de pesca no Sudeste Asiático, passando pelos salários miseráveis nas plantações de chá indianas, até a fome enfrentada por trabalhadores das fazendas de uva na África do Sul, o desrespeito aos direitos humanos e trabalhistas é muito comum nas cadeias de fornecimento alimentar”, diz o relatório.
A consultoria de pesquisa Bureau for the Appraisal of Social Impacts for Citizen Information, contratada pela organização, estudou a cadeia de 12 produtos de países em desenvolvimento que são vendidos nos supermercados europeus e norte-americanos: suco de laranja (Brasil), café (Colômbia), chá (Índia), cacau (Costa do Marfim), banana (Equador), uva (África do Sul), vagem (Quênia), tomate (Marrocos), abacate (Peru), arroz (Tailândia), camarão (Indonésia, Tailândia e Vietnã) e atum (Indonésia, Tailândia e Vietnã).
Brasil 
O Brasil foi um dos países incluídos no levantamento feito pela Oxfam. Segundo a organização, atualmente, um em cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo vem do Brasil. O preço do produto aumentou mais de 50% nos supermercados americanos e europeus desde a década de 1990. No entanto, o valor pago a pequenos produtores e trabalhadores rurais no Brasil chega a apenas 4% do valor de venda final.
Para alguns produtos, como o chá indiano ou a vagem queniana, a renda média dos produtores é menos da metade do que seria considerado ideal para assegurar uma vida digna. No caso do Brasil, a renda de trabalhadores e pequenos agricultores que fornecem laranja é de 61% e 58% do que seria necessário para um padrão de vida decente.
Mulheres
Segundo o estudo, as mulheres arcam com o fardo mais pesado, 90% das entrevistadas que trabalham no cultivo de uva na África do Sul afirmaram não terem tido o suficiente para comer no mês anterior. Segundo a Oxfam, a diferença entre uma renda mínima para se viver com dignidade e a renda recebida efetivamente é maior onde as mulheres são a maior parte da força de trabalho.
“Seja em pequenas propriedades familiares ou entre trabalhadores, normas de gênero profundamente arraigadas fazem com que o impacto seja mais grave para as mulheres: elas não têm direito de possuir terras, têm menos probabilidade de contar com representação sindical, assumem a maioria dos trabalhos de cuidado não remunerados, são discriminadas com relação a remuneração e progressão para funções superiores, e sofrem ameaças de assédio e violência sexuais”, diz o relatório.
A queda nos preços de exportação de vários produtos no longo prazo, 70% no caso do suco brasileiro, também ajudou a reduzir os preços pagos aos pequenos agricultores e produtores a pouco mais que o custo de produção. Como resultado, eles saem das cadeias internacionais de fornecimento e podem ser forçados a trabalhar nas grandes plantações da indústria alimentícia. No Brasil, o número de fazendas do setor de produção de suco de laranja diminuiu de 28 mil para menos de 10 mil nas duas últimas décadas.

Responsabilidade social corporativa

Por outro lado, para a Oxfam, à medida que vão concentrando o mercado, as cadeias varejistas podem encontrar soluções para acabar com as desigualdades sociais e melhorar as condições de trabalho e a remuneração desses trabalhadores. No caso do Brasil, de acordo com a Oxfam, três grandes redes de supermercados concentram 46% do setor.
Por meio de políticas inclusivas, com seu poder de compra e influência, elas podem exigir dos seus fornecedores, por exemplo, que acabem com os empregos informais e o trabalho escravo no campo, além de garantir que agricultores e produtores recebam uma parcela mais justa do que é pago pelos consumidores no varejo.
De acordo com o levantamento, no caso de muitos produtos, o investimento necessário para levar a renda ou os salários atuais a níveis dignos é ínfimo em comparação com o preço ao consumidor final. Devolver 1% ou 2% do preço do varejo aos fornecedores poderia mudar a vida de muitas pessoas que produzem alimentos. No caso do suco de laranja, cerca de 3,1% do valor pago pelo consumidor no supermercado já garantiria uma renda digna a pequenos agricultores.
O relatório diz que talvez os preços ao consumidor não precisem aumentar para alcançar esse investimento a mais. Em cada um desses 12 produtos, o investimento extra que os atores da cadeia de fornecimento precisariam fazer é muito menor do que o aumento que os supermercados tiveram em sua fatia do preço ao consumidor final nos últimos 10 a 15 anos.
O relatório da Oxfam sobre a cesta de 12 produtos sugere ainda que, em países onde os governos intervieram e estabeleceram preços mínimos para as commodities agrícolas, os pequenos agricultores recebem uma fatia do preço final ao consumidor que é cerca de duas vezes maior do que a dos agricultores que não recebem esse apoio.
O documento é a base de uma nova campanha global da organização para denunciar a exploração econômica e cobrar mudanças na distribuição dos ganhos deste segmento, para melhorar a remuneração dos trabalhadores rurais e pequenos produtores, as condições de trabalho e a desigualdade de gênero na cadeia de fornecedores de alimentos na América Latina, África e Ásia.
Por Agência Brasil.

MAIS UM ASSASSINATO CONTRA QUEM DEFENDE OS POBRES >> Corpo de ativista é achado com mão e bracos amarrados a pedras pesadas


ativista Nilce de Souza Magalhães
O corpo da pescadora Nilce de Souza Magalhães, a Nicinha, ativista do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), que estava desaparecido desde janeiro, foi encontrado na última terça-feira (21) no lago da barragem da usina hidrelétrica de Jirau, em Porto Velho (RO).

Uma das líderes do movimento na região Norte do país, ela estava desaparecida desde 7 de janeiro. O corpo foi achado com mãos e braços amarrados a pedras pesadas, o que o mantinha dentro da água, a 400 metros de distância do local em que morava.
Nicinha era uma das pessoas atingidas diretamente pela construção de Jirau e não tinha conseguido ser reassentada, o que impulsionou sua luta por pessoas em situação idêntica à sua e contra a violação de direitos humanos. Duas denúncias envolvendo a atividade pesqueira e a construção das hidrelétricas no Madeira viraram inquéritos no Ministério Público.
Filha de seringueiros, ela morava num acampamento de pescadores numa ilha no rio Mutum, afluente do Madeira, e continuava atuando na pesca, reduzida, segundo o MAB, após a construção da barragem.
O reconhecimento do corpo foi feito por duas filhas, que identificaram as roupas, o relógio e objetos que estavam com a ativista. Devido ao avançado estado de decomposição, a polícia solicitou exame de DNA, que deve ficar pronto em 15 dias.
“Difícil afirmar exatamente o que houve mas, ainda que indiretamente, o verdadeiro culpado pela morte é a construção das barragens, da forma que foram construídas em Rondônia”, disse o integrante do MAB Guilherme Weimann.
Segundo o movimento, a construção de barragens levou para a região um contingente enorme de operários, gerando deficit na educação, saúde e habitação, ampliando as violações aos direitos básicos das pessoas.
Um suspeito de cometer o crime foi preso uma semana depois do desaparecimento de Nicinha. Ele disse à polícia ter atirado na vítima após um suposto furto. Há dois meses, o criminoso fugiu da penitenciária de Porto Velho.
O MAB refuta a hipótese de que uma “briga de vizinhos” motivou o crime e fará um ato político para homenageá-la na capital de Rondônia. “Sabemos que não é isso. Ela incomodava muita gente lá”, disse Weimann.

EM MOSSORÓ >> Evento literário ressalta a importância da cultura afro-brasileira


Os ingressos estão à venda na tesouraria do Colégio para todos os dias de espetáculos, tanto para dias em separado como para a compra de senhas combinadas de todos os dias de apresentações.

Visando a representatividade da cultura africana, o Colégio Mater Christi promoverá o XVI Seminário Literário. O evento é realizado anualmente pelo Colégio e envolve alunos(as) desde a Educação Infantil até as 1ª e 2ª séries do Ensino Médio.

Esse ano o Seminário Literário terá como tema: “Cultura Afro-brasileira: da colonização aos dias atuais” e acontecerá no período de 30 de junho a 06 de julho de 2018, tanto nas dependências do Colégio quanto no Teatro Dix-Huit Rosado.
O desafio dos alunos para o evento é, a partir do tema proposto, as turmas conseguirem realizar atividades que unem música, dança, teatro e literatura dentro das atividades que se iniciam com o Cortejo Literário e em seguida, realização de peça teatral, recital e painel expositivo.
Os ingressos estão à venda na tesouraria do Colégio para todos os dias de espetáculos, tanto para dias em separado como para a compra de senhas combinadas de todos os dias de apresentações. As senhas de acesso aos espetáculos estarão à venda ao preço de R$ 20,00 (Parte I ou II de cada dia) ou R$ 30,00 casadinha (Partes I e II).
O lançamento desta edição do seminário no dia 30 contará com o cortejo literário às 8h, saindo da Praça dos Esportes em direção ao Mater Christi. Já no período de 02 a 06 de julho de 2018, haverá apresentações elaboradas pelos alunos por turmas, no Teatro Municipal Dix-Huit Rosado.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

AOS QUE TIVEREM CONDIÇÕES DE ENTENDER... >> O choro de Neymar usado pela mídia para comover a população. Enquanto isso...


GREVE >> IDIARN comunica a sociedade que a partir de hoje estará entrando em greve e mostra quais são as atividades estarão prejudicadas


CONCURSO >> UFRN oferece vagas para Natal e interior com salários de até R$ 10 mil

Provas estão previstas para ocorrer no segundo semestre e a seleção constará de prova escrita, prova didática, defesa de memorial e projeto de atuação profissional

Os interessados devem efetuar inscrição pelo Sistema Integrado de Gestão de Recursos Humanos (SIGRH)

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) está com inscrições abertas até o próximo dia 26 para o Concurso Público de Professor do Magistério Superior na Classe Adjunto-A. São 10 vagas para diversas áreas, distribuídas nos campi Natal, Caicó e Santa Cruz.
Os interessados devem efetuar inscrição pelo Sistema Integrado de Gestão de Recursos Humanos (SIGRH), onde estão disponíveis o edital e o formulário de inscrição. As provas estão previstas para ocorrer no segundo semestre e a seleção constará de prova escrita, prova didática, defesa de memorial e projeto de atuação profissional, além de prova de títulos.
A remuneração será compatível com a classe e o nível iniciais da carreira correspondendo ao regime de trabalho de dedicação exclusiva, com titulação de doutorado e salário total de R$ 10.043,67, o qual inclui vencimento básico, retribuição por título e auxílio alimentação.

BIOPIRATARIA >> EUA registram propriedade medicinal do jambu e impedem pesquisa da Universidade Federal do Amazonas



Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) abandonaram três meses de estudos sobre as propriedades anestésicas do jambu porque uma patente registrada nos Estados Unidos os impedia de lançar no mercado uma pomada bucal de uso odontológico. As pesquisas realizadas eram com a substância spilantol, presente no jambu, vegetal usado na culinária amazônica como ingrediente do tacacá e pato no tucupi, por exemplo.
Segundo informações obtidas no departamento de Fisiologia Humana da Ufam, o jambu – planta típica de regiões de trópico úmido – não existe nos Estados Unidos (EUA). Mesmo assim, nos sites de patentes encontraram 15 delas registradas nos Estados Unidos e 34 na Europa.
A substância spilantol é descrita nessas patentes como apropriadas para uso anestésico, antisséptico e ginecológico e vendida no mercado até mesmo como cosméticos. Ou seja, os estudos que descreviam a tecnologia e destinação dos pesquisadores da Ufam  já estavam descritos pelos americanos desde setembro de 2007
Com a perda da patente do jambu, o departamento de fisiologia admite que novas pesquisas agora são realizadas com pelo menos três outras plantas apresentam, também, alcalóides com propriedades semelhantes ao spilantol. O objetivo é lançar no mercado um anestésico local, de uso tópico, que elimine a necessidade da seringa no consultório odontológico. O nome das plantas são mantidas em segredo para garantir o sigilo do conhecimento até que tenha sido devidamente patenteada.
O episódio com o jambu, segundo o departamento, demonstra que o conhecimento ancestral dos povos da Amazônia precisa ser melhor para que não cai nas mãos de pesquisadores estrangeiros.
As  propriedades anestésicas do jambu são conhecidas da população local. Suas folhas e flores são usadas sobre o dente comprometido para aliviar a dor. Esses conhecimentos estão na internet e deixaram de ser tradicional para ser universal antes mesmo dos pesquisadores brasileiros estudarem suas propriedades e patenteá-las.

Spilantol

O alcalóide spilantol presente no jambu recebeu várias patentes nos Estados Unidos e Europa para usos diversos, como remédios e cosméticos. Entre os estudos realizados no exterior com a substância está o que pretende criar um botox menos tóxico que o produzido pela bactéria botulínica, e causa risco de morte para as pessoas.
O spilantol é descrito como um cosmético antirrugas por inibir as contrações dos músculos subcutâneos, em especial os do rosto, assim como o botox usado no tratamento de rejuvenescimento.
Outras patentes registaram o spilantol como substância eficaz no tratamento da queda de cabelo e no amaciamento da pele, além de possuir propriedades desodorantes. Uma patente descreve um produto destinado ao banho, que deve ser feito com bolhas para tratamento de pele e inibindo o surgimento de sardas e manchas.
Outra propriedade do alcalóide não passou despercebidas pelos pesquisadores estrangeiros, tanto que uma patente registra que o spilantol produziu o fim de arritmia quando injetado no coração de um coelho. ( Portal do Holanda)

O CUSTO DE UM GOVERNO GOLPISTA >> MEC quer adiar ampliação do tempo de formação de professor


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O Ministério da Educação (MEC) pediu o adiamento da implementação da resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) que amplia o tempo de formação dos professores.
A resolução, homologada em junho de 2015 pela própria pasta, estabelece que a formação dos professores será mais longa e mais voltada à prática em sala de aula. A carga horária dos cursos de licenciatura deverão passar de 2,8 mil, o equivalente a três anos de formação, para 3,2 mil ou quatro anos de formação.
Na época, foi estabelecido o prazo de dois anos, ou seja, até meados de 2017, para que os cursos em funcionamento se adequassem às novas regras. O prazo já havia sido estendido no ano passado e terminaria este mês.
Segundo o MEC, o pedido foi feito porque a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio ainda segue sob análise do CNE. Pela Lei de Diretrizes e Base da Educação e pela Lei do Novo Ensino Médio, os currículos dos cursos de formação de docentes são vinculados à BNCC.
A BNCC estabelece os conteúdos mínimos que devem ser ensinados nas escolas de todo o país. A BNCC do ensino fundamental e infantil foi aprovada do final do ano passado. A BNCC do ensino médio foi enviada ao CNE em abril desse ano.
O pedido de adiamento, segundo a pasta, foi feito também pelos reitores representados pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).
A decisão final do novo prazo ou mesmo se haverá o adiamento será do CNE.

Lei

A resolução é parte do pacote de medidas adotadas pelo governo federal no final do primeiro ano de vigência do Plano Nacional de Educação (PNE), na lei que estabelece metas e estratégias para melhorar a qualidade da educação até 2024. Entre as metas está a inclusão de todas as crianças e adolescentes de 4 a 17 anos de idade na escola e o aumento do investimento no setor até o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente são investidos 5,5% do PIB.
A lei estabelece também a valorização dos professores e a formação adequada. A resolução é o primeiro passo para a Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica.
De acordo com dados do último monitoramento do PNE, lançado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), muitos professores não são formados na área que lecionam.
Em 2016, na educação infantil, 53,4% não tinham formação superior adequada à área que atuam. No ensino fundamental, o percentual chegava a 49,1% nos anos finais, do 6º ao 9º ano e 41% nos anos iniciais, do 1º ao 5º ano. No ensino médio, 39,6% não tinham formação adequada. Pelo PNE, até 2024, todos os professores têm que ter a formação adequada a área que lecionam.


domingo, 24 de junho de 2018

A FALSA IDEIA DE DESENVOLVIMENTO QUE CHEGA AO INTERIOR >> MPF apresenta ação contra carcinicultores que poluem rios no Vale do Açu


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NOTA DO BLOG: Essa prática tem sido bastante comum, pois esse tipo de pessoas ou empresas tem chegado nos pequenos municípios com  falso discurso de "geração de emprego e renda" em vários setores econômicos, mas depois o resultado é sempre prejudicial para os trabalhadores ou para o meio ambiente!
Segue abaixo a matéria:
O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública (ACP) contra três empresas e um empresário responsáveis por causarem danos ambientais à área localizada nos arredores dos rios dos Cavalos e Logradouro, afluentes do rio Piranhas-Açu. Os réus criam camarões em cativeiro e não possuem o adequado sistema de tratamento de efluentes, despejando os resíduos da produção nos cursos d’água, ilegalmente.
O objetivo do MPF com a ação é promover a suspensão das atividades poluidoras, garantir a recuperação do ecossistema (através da execução de projetos de recuperação de área degradada – Prads) e a cobrança de uma indenização por danos materiais e danos morais coletivos totalizando R$ 1 milhão, a ser paga solidariamente pelos réus.
Os alvos da ação são a Samaria Camarões Ltda. (sucessora da Queiroz Galvão Alimentos S/A, antiga Fazenda Potiporã, com sede na Fazenda Esperança Nova, em Pendências), a Nortemar Maricultura Eireli (com sede na Fazenda Aquática, em Porto do Mangue), a Hanna Camarões Ltda (com sede em Natal e empreendimento situado na Fazenda Ilha do Meio, em Pendências) e o empresário Charles Barbosa de Moraes, arrendatário do empreendimento de carcinicultura situado na Fazenda Equamar, em Carnaubais.
Fiscalização
Os graves danos ambientais causados pelas empresas foram confirmados por meio de vistorias determinadas a partir de um inquérito civil que tramita na Procuradoria da República em Assu e realizadas por fiscais do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema/RN). Eles confirmaram que a atividade poluidora das quatro empresas vem prejudicando a qualidade da água dos rios, o que dificulta , inclusive, a pesca.
O inquérito instaurado pelo MPF em 2015, aliás, foi aberto após representação da Colônia de Pescadores Z-17, que denunciou a alta mortandade de peixes na região. “A atividade dessas empresas apresenta irregularidades no processo de drenagem de efluentes ou no descarte de resíduos sólidos e isso está atrapalhando outras atividades econômicas no local, como a pesca”, destaca o procurador da República Victor Queiroga, autor da ação.
Irregularidades
As vistorias do Idema apontaram que a Samaria libera efluentes sem tratamento no rio Logradouro, tendo 10 bacias de sedimentação – que recebem efluentes dos viveiros de engorda – com comportas voltadas para os cursos d´água. De forma semelhante, a Nortemar Maricultura também faz esse lançamento irregular nesse rio, “a oeste da estrada que liga a Fazenda Aquática à Fazenda Potiporã, e no rio dos Cavalos, a leste da mencionada estrada”. Essa empresa ainda desmatou uma área de mangue equivalente a 353 m², pela qual foi autuada em 2016.
A Hanna Camarões, por sua vez, possui quatro viveiros de engorda em operação, interligados a uma bacia de sedimentação que possui uma comporta que despeja efluentes sem tratamento nos rios. Já Charles Barbosa, da Fazenda Equamar, passou a explorar a área antes ocupada pela Norpex e cujos viveiros eram responsáveis pelo despejo de efluentes sem tratamento. Mesmo após notificado pelo Idema, para que apresentasse uma proposta de readequação do sistema de tratamento, o empreendedor manteve a produção nos mesmos moldes de sua antecessora, poluindo a região.
A ação do MPF inclui um pedido de liminar para que sejam interrompidas as atividades, sob pena de multa diária, e para que os responsáveis se dirijam ao Idema para iniciar a elaboração dos Prads. A ACP tramita na Justiça Federal sob o número 0805800-78.2018.4.05.8403.

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Análise de conjuntura aponta a convivência com o Semiárido como uma narrativa contra-hegemônica.

Um crescente avanço do fundamentalismo e conservadorismo no mundo. A ameaça de uma guerra nuclear envolvendo Estados Unidos e Coréia do Norte. No Brasil, o desemprego atinge recorde, políticas sociais em declínio, a Constituição Federal ameaçada. Lula preso. Esses são alguns elementos da conjuntura internacional e nacional refletidos por representantes de 138 organizações atuantes no Semiárido e que compõem a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), no dia 07 de junho, no Recife (PE). Entre os debatedores estavam Jorge Romano, da ActionAid; Maria Emília Pacheco, ex-presidenta do Consea e assessora da FASE; e Naidison Baptista, da coordenação executiva da ASA.

Jorge Romano, da ActionAid defende a tese que o neoliberalismo se reinventou a partir da crise financeira de 2008-2011 e que o princípio do mercado predomina de forma absoluta na organização da economia, da política e da sociedade, em detrimento do Estado. “A exploração se dá agora por um lado através da situação precária dos trabalhadores, com o fim dos direitos trabalhistas e da proteção social. Ante o risco de perda do trabalho, o trabalhador é obrigado a aceitar a precariedade do mesmo, diz Romano.

Para ele, “O resultado da complexa disputa pelo protagonismo mundial ou por posições estratégicas não está claro. Mas o que fica evidente são as corporações dos países, privadas e públicas, que vêm assumindo o protagonismo prático neste interregno, colocando os seus respectivos Estados a seu serviço, articulando poder econômico com poder político”.

O Brasil não está isolado desse contexto. Por trás do golpe que derrubou Dilma Rousseff e deu início ao retrocesso social e político no Brasil, há a interferência do capital financeiro interessado em explorar, sobretudo, as riquezas brasileiras, com petróleo, minério e florestas. Um exemplo concreto é o processo de privatização das terras públicas por meio de várias emendas constitucionais que estão sendo tomadas pelo Executivo, pelo Judiciário e pelo Legislativo, com destaque para a Lei da Grilagem Nº13.465/17 que  trata da regularização fundiária no campo, nas cidades e da ocupação de terras da União na Amazônia Legal.