O relatório com o resultado das análises
feitas no terceiro encontro de meteorologistas realizado esta semana em
Fortaleza (CE) foi divulgado. As previsões para os próximos meses não
diferem muito do que havia sido observado no encontro anterior, ocorrido
no mês passado. Pelo contrário, até pioram um pouco, segundo informa o
meteorologista e professor da Universidade Federal Rural do Semiárido
(UFERSA), José Espínola.
Segundo ele, as previsões apontam para probabilidades de 40% das
chuvas abaixo da média, 35% na média e 25% de chuvas acima da média e
são válidas para a parte Norte do Nordeste, que inclui os estados do
Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.
Os dados foram interpretados a partir da observação do Oceano
Atlântico, cujo comportamento não mudou muito, mantendo a tendência para
a neutralidade, o que deixa as informações confusas. Espínola explica
que as águas do Atlântico Norte continuam mais quentes que as do
Atlântico Sul. Para que o período chuvoso seja positivo em nossa região
deve haver o contrário.
"A tendência é de chuvas da média para baixo da média, com
variabilidade temporal muito grande", informa o meteorologista. Na
prática, isso significa que pode haver chuvas em um dia e passar vários
dias sem chover. A média de chuvas em Mossoró é de 700 mm, como informa o
meteorologista. Porém, esse número muda a cada ano.
De acordo com Espínola, a situação do período dependerá de como as
chuvas serão distribuídas. Se houver uma boa distribuição das
precipitações pluviométricas, mesmo que a incidência de chuvas seja
abaixo da média, os agricultores podem ter uma boa safra. Ele cita como
exemplo o comparativo entre os anos de 2004, quando choveu 1.200 mm em
Mossoró, sendo que desse total 600 mm foram registrados em apenas dez
dias do mês de janeiro, e 2005 choveram apenas 500 mm, que foram mais
bem distribuídos ao longo do período chuvoso, favorecendo a agricultura.
Ele menciona que em 2011 ainda choveu em Mossoró e em 2013 houve
registro de 400 mm, mas metade do volume caiu sobre a terra em um único
dia. A torcida deve ser para que as chuvas sejam bem distribuídas, pois o
solo da região é raso e tem capacidade de armazenar água.
Isso não resolve, no entanto, o problema dos reservatórios de água. O
meteorologista comenta a situação do Ceará, onde parte dos
reservatórios já está com menos de 30% de sua capacidade de
armazenamento. Ele credita que, no Rio Grande do Norte, a situação não
seja diferente.
Este ano, a experiência de alguns agricultores de que os anos
terminados em "4" costumam ser bons de chuvas também pode ser frustrada.
Na realidade, essa não seria a primeira vez que isso ocorreria.
Espínola comenta que 1974 e 2004 foram anos de muitas chuvas, mas
informa que o mesmo não ocorreu nos anos de 1944 e 1954.