Há mais de 20 anos, o rio vem sofrendo com a
degradação ambiental. Desde a nascente, no município de Luís Gomes, até a
sua desembocadura, entre os municípios de Areia Branca e Grossos, o rio
apresenta um quadro marcado por altos índices de poluição em
praticamente todos os trechos urbanos.
"Alguns municípios apresentam
índices mais intensos de poluição como Pau dos Ferros, Apodi, Mossoró e
Areia Branca", descreve o professor-doutor Ramiro Camacho, membro do
Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio.
O professor exemplifica que em
alguns pontos do rio, como o município de Governador Dix-sept Rosado, a
poluição não atingiu índices tão alarmantes. Segundo ele, a referida
cidade é uma referência para a bacia hidrográfica, pois por conta da
entrada de fontes naturais de águas limpas em seu leito, como a do Poço
Feio, essas águas limpas depositam no rio poluído, minimizando o
problema.
"A área do rio em Governador Dix-sept Rosado é uma das mais
protegidas. Na cidade, o rio é fonte de lazer e de pesca para os
ribeirinhos. O que não acontece em Mossoró, principalmente nos trechos
da Barragem do Centro ao bairro Paredões. As gerações mais antigas
sentem saudade do tempo em que o rio fazia parte de encontros da
família, lazer, tomar um banho. Hoje as águas estão contaminadas e
malcheirosas. Infelizmente, é essa a realidade de hoje", relata o
professor.
Conforme o gerente executivo de Gestão Ambiental, Mairton
França, o maior problema enfrentado pelo rio Mossoró atualmente diz
respeito ao despejo irregular de esgoto proveniente das residências.
"Por
meio dos Núcleos de Educação Ambiental (NEAs) temos buscado esclarecer a
população sobre a importância de evitar o despejo irregular de esgotos.
A Prefeitura Municipal de Mossoró (PMM), junto com os órgãos
competentes, tem buscado identificar de onde vêm os esgotos, mas é um
trabalho difícil, até mesmo para autuar os cidadãos", informa o gerente.
Outro
problema encontrado no rio é o despejo de lixo. "Sempre quando fazemos
um trabalho de limpeza retiramos garrafas pet, pneus e plástico",
informa. Segundo ele, muitas vezes esse material é descartado pela
própria população, por isso é importante despertar nos cidadãos a
consciência ambiental.
De acordo com Ramiro Camacho, durante a
execução do Projeto Rio Apodi-Mossoró, realizado pela Fundação Guimarães
Duque, em parceria com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido
(Ufersa) e a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), foram
feitas 14 mil análises, e o monitoramento do rio em 26 pontos. "Fizemos
os relatórios com as informações sobre a qualidade da água, segmentos e
solo, e repassamos aos 52 municípios para trabalhar com os dados, e
desenvolver projetos para sanear, organizar e revitalizar o manancial.
Mas nem todos utilizaram essas informações", diz.
Ele destaca que a
situação é crítica de fósforo, nitrogênio e nitrato no rio. "Com o
problema ambiental das secas periódicas, a poluição do rio ficou ainda
maior", destaca Camacho. O professor enfatiza que foram detectados nas
águas metais pesados que podem causar câncer, mas não se sabe se os
metais estão nos peixes ou nas plantas.
O professor Ramiro Camacho
observa que mesmo poluído o rio faz parte do cotidiano de muitas pessoas
carentes, que ainda se alimentam dos seus peixes e utilizam as águas
para atividades rotineiras. Daí a importância de revitalizá-lo.
Aguapés denunciam elevados índices de poluição
Por causa dos elevados índices de poluição, as águas do rio Mossoró
deram lugar a um verdadeiro "tapete verde" de aguapés. Em condição
sadia, a planta aquática auxilia a conter a poluição, mas da maneira
como se encontra a condição se torna mais um problema ecológico.
"Da
forma como está, os aguapés causam um problema ecológico chamado
eutrofização. A planta suga o oxigênio e os nutrientes do rio. Assim,
esse "tapete verde" compromete animais e plantas que vivem embaixo dele.
O
gerente do Meio Ambiente, Mairton França, destaca que o rio Mossoró
oferece as condições necessárias para a proliferação dos aguapés:
elevados índices de poluição, altas temperaturas e água parada. Mas,
devido a falta de chuvas, as plantas aquáticas também estão morrendo por
falta de água. "A vazão está baixa devido a escassez de chuva. O rio só
não está seco por conta das águas da barragem de Santa Cruz", enfatiza.
Meses
atrás, a Prefeitura fazia a retirada das plantas aquáticas com um barco
catamarã. No entanto, o contrato com a empresa que executava o trabalho
foi rescindido em julho. "A empresa não estava cumprindo alguns pontos
do contrato", justifica Mairton França.
Mesmo com os serviços
paralisados, o barco catamarã continua ancorado na Barragem do Centro.
"Nós já notificamos a empresa para que retirasse o barco", diz o
gerente. Ele destaca que caso a empresa não retire o catamarã nos
próximos dias, ela poderá ser multada.
Fonte: Jornal O Mossoroense
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