Prêmio destaca projetos bem-sucedidos para educar sem preconceitos
Como trabalhar o tema da diversidade racial com as
crianças? Quais as melhores iniciativas para combater o preconceito
manifestados pelos alunos? O 6º Prêmio Educar para a Igualdade destaca
projetos bem-sucedidos na valorização da diversidade e promoção da
igualdade racial nas escolas.
A ideia é divulgar as boas
iniciativas brasileiras para que sejam repetidas em diferentes lugares.
"Nossa intenção é espalhar as experiências para um número maior de
pessoas e instituições", diz Athayde Motta, diretor executivo do Fundo
Baobá. Do ponto de vista pedagógico, de valorização da autoestima das
crianças negras e de reconhecimento do esforço dos professores, o prêmio
é um grande sucesso. "Crianças que aprendem a não ser racistas deverão
se tornar adultos mais proativos ao lidar com as diferenças e com o
racismo dos outros", comenta ele.
Especial Inclusão e Diversidade |
A iniciativa do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CERRT), com apoio do Fundo Baobá,
é realizada há 10 anos e a 6º edição, em 2012, premiou 16 educadores
(entre 486 inscritos) de dez estados brasileiros nas categorias Escola e
Professor. A contagem estranha mostra a dificuldade de organizar um
prêmio que demora dois anos para localizar bons trabalhos em todo o
Brasil.
Entre vencedores da categoria Escola estava o projeto "Traçando e trançando os laços da igualdade racial", do Centro de Educação Infantil Onadyr Marcondes, em São Paulo. A diretora Luci Aparecida Guidio Godinho relembra a fala que inspirou seu trabalho. A mãe de uma das alunas desabafou: "Minha filha falou que, quando crescer, quer ser branca, que não gosta da cor de pele que tem e perguntou por que é negra. Eu não sei explicar".
A diretora propôs um caminho ousado para educar alunos de até quatro anos - e seus familiares: identificou falas racistas e preconceituosas das crianças, reservou momentos nas reuniões do Conselho Escolar para falar com os pais sobre o assunto e organizou reuniões de formação dos professores em horário coletivo de estudos. "A gente começou uma construção coletiva, com professores, famílias e as crianças; e trouxemos para dentro da escola um acervo de livros com histórias da cultura africana, além de livros para trabalhar a história da África com os docentes", conta.
Obras como o "O Cabelo de Lelê", de Valéria Belém, e "Menina Bonita do Laço de Fita", de Ana Maria Machado (veja outros) foram trabalhadas e fizeram com que os alunos valorizassem a beleza afro-brasileira em si mesmos ou em seus colegas. Ao final do ano letivo, os pequenos saíram em passeata pelo bairro, mostrando à comunidade roupas e músicas de origem africana e cartazes contra o preconceito racial. "As crianças passaram a ver nesses livros esses cabelos crespos lindos; começaram a se reconhecer, soltar seus próprios cabelos e dizer eu 'sou bonita'. As crianças brancas também já falam 'puxa eu também quero ser assim, minha coleguinha também é bonita né'", comemora a diretora.
Presente na premiação, Kabengele Munanga, professor
aposentado de Antropologia na USP, destacou a importância do prêmio para
que os professores se lembrem da lei 10.639, que desde 2003 obriga o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira
nas escolas. "Existem pessoas que estão se empenhando para cumpri-la,
produzindo materiais que podem servir de modelo para a Educação de
jovens que vão nascer, que estão crescendo e vão encontrar uma sociedade
com esses problemas de racismo", avalia Kabengele. Entre vencedores da categoria Escola estava o projeto "Traçando e trançando os laços da igualdade racial", do Centro de Educação Infantil Onadyr Marcondes, em São Paulo. A diretora Luci Aparecida Guidio Godinho relembra a fala que inspirou seu trabalho. A mãe de uma das alunas desabafou: "Minha filha falou que, quando crescer, quer ser branca, que não gosta da cor de pele que tem e perguntou por que é negra. Eu não sei explicar".
A diretora propôs um caminho ousado para educar alunos de até quatro anos - e seus familiares: identificou falas racistas e preconceituosas das crianças, reservou momentos nas reuniões do Conselho Escolar para falar com os pais sobre o assunto e organizou reuniões de formação dos professores em horário coletivo de estudos. "A gente começou uma construção coletiva, com professores, famílias e as crianças; e trouxemos para dentro da escola um acervo de livros com histórias da cultura africana, além de livros para trabalhar a história da África com os docentes", conta.
Obras como o "O Cabelo de Lelê", de Valéria Belém, e "Menina Bonita do Laço de Fita", de Ana Maria Machado (veja outros) foram trabalhadas e fizeram com que os alunos valorizassem a beleza afro-brasileira em si mesmos ou em seus colegas. Ao final do ano letivo, os pequenos saíram em passeata pelo bairro, mostrando à comunidade roupas e músicas de origem africana e cartazes contra o preconceito racial. "As crianças passaram a ver nesses livros esses cabelos crespos lindos; começaram a se reconhecer, soltar seus próprios cabelos e dizer eu 'sou bonita'. As crianças brancas também já falam 'puxa eu também quero ser assim, minha coleguinha também é bonita né'", comemora a diretora.
Entre a categoria Professor, o projeto "Literatura infantil e a construção da identidade da criança no Ensino Fundamental" da professora Gisele Nascimento Barroso da escola de Ensino Fundamental E.R.C e Nossa Senhora da Conceição, em Belém (PA), foi vencedor. O projeto explorou os livros como referência para valorização da identidade afro-brasileira entre as crianças negras e brancas. "Agradeço a todos os alunos que carregaram responsavelmente essa missão de assumir o quanto nós trazemos de África em nossa vida", falou ao ser premiada.
Por
meio das inscrições no prêmio, mais de 2.500 prátcias pedagógicas
tratando do respeito à diversidade racial e cultural no Brasil já foram
registradas pelo CEERT. Tanto as iniciativas premiadas este ano, quanto
as que se destacaram em outras edições podem ser conferidas por pais,
professores e alunos em http:// educarparaaigualdadeetnicoraci al.ning.com/
A seguir, veja seis ferramentas que a escola - e você - devem utilizar para fazer de seu filho um cidadão sem preconceitos, que respeita e valoriza as diferenças culturais e raciais do nosso país.
A seguir, veja seis ferramentas que a escola - e você - devem utilizar para fazer de seu filho um cidadão sem preconceitos, que respeita e valoriza as diferenças culturais e raciais do nosso país.
Para ler, clique nos itens abaixo:
- 1.Prestar atenção se há preconceito em casa
- 2. Saber que a escola está aberta para ensinar ao seu filho e a você, se preciso
- 3. Saber o que a escola deve fazer para uma boa abordagem do assunto
- 4. Checar como o professor do seu filho está preparado para educar contra o preconceito
- 5. Em 2013, lembrar que as escolas terão mais materiais para boas práticas sobre o tema
- 6. Saber que, em 2013, serão completados 10 anos da criação da lei que obriga o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira nas escolas
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